A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo dançarino do grupo Raiz de Poilon, depois de ter recebido a confirmação de que foi selecionado para participar no programa de residências artísticas, no âmbito da sua candidatura para a bolsa de atribuição de subsídio da Fundação Galouste Gulbenkian.

Esta instituição, sedeada em Lisboa, apoia, anualmente, a mobilidade internacional de artistas naturais e residentes nos PALOP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe), nas áreas das artes visuais (incluindo imagem e artes plásticas), curadoria e dança.

O objetivo é apoiar a participação de artistas destes países em programas de residências artísticas, em África ou em Portugal, através da atribuição de subsídios de viagem, incentivando a sua circulação internacional.

De Cabo Verde, o escolhido este ano foi Mano Preto que vai receber um subsídio de 1.500 euros.

Conforme contou à Inforpress, antes de concorrer a esta bolsa, o artista teve de procurar um espaço para desenvolver a sua nova criação, por isso candidatou-se ao estúdio de Victor Córdon em Lisboa, onde no ano passado desenvolveu a peça “Kode di Dona”.

No mês de julho, o intérprete e ator vai desenvolver, no mesmo estúdio, a peça sobre a vida e obra do compositor de mornas e coladeiras “Manuel d´Novas”.

“Manuel d´ Novas é um ciclo de cinco peças a solo que estou a desenvolver, um por ano, na área de música e literatura, isto é, criação de biografias de grandes vultos da música cabo-verdiana. Os próximos serão Cesária Évora, Jaime Figueiredo e Eugénio Tavares”, adiantou.

Conforme explicou Mano Preto, esta peça, que terá a duração de meia hora ou uma hora, com enfoque na morna, pretende retratar, através de uma corda o violão e o barco, dois dos objetos que o artista costumava trabalhar.

“A ênfase será o género morna, primeiro porque é o género em que ele é mais conhecido e segundo, pelo facto de esse género estar a concorrer à classificação como Património Imaterial da Humanidade, e achamos que deveríamos dar um pequeno contributo a preservação e divulgação dessa que é a música com a qual todos os cabo-verdianos se identificam”, sublinhou.