Em declarações à imprensa, Mana Guta afirmou que os contos que alguns compõem esta obra têm pendor pedagógico, outros apenas de lazer e outros ainda que “passam alguma moral, do ponto de vista da identidade cabo-verdiana, de forma que não haja desavenças entre as subculturas cabo-verdianas”.

“São 13 estórias e praticamente todas elas têm em comum o facto de nós sermos um país arquipelágico, com culturas locais, mas que se comunicam”, afirmou a autora, adiantando que se identifica muito, no campo da literatura infantojuvenil, com as muitas estórias que ouviu enquanto “menina”.

Além disso, Mana Guta afirmou que exerce docência, embora a part-time, o que a leva a “contar muitas estórias” para prender a atenção também de seus alunos, mesmo sendo eles universitários e adultos.

“Então passa a ser algo um pouco natural”, frisou a escritora, completando que começou mesmo a escrever porque esquecia as estórias que inventava no dia-a-dia para contar às suas filhas para que essas pudessem comer algum alimento que não lhes eram do agrado.
“Me corrigiam (…) Então comecei a escrever para não esquecer e ficou o hábito de escrever”, acrescentou.

“Camões Crioulo e a História das Ilhas”, uma edição da Editora Casa e Verbo, conta com ilustrações feitas pela adolescente Jija Teixeira, quem começou a desenhar desde tenra idade, conforme informou Mana Guta.

A apresentação da obra, que tem a coordenação de Adelino Correia, designe gráfico e paginação de Célia Brás e impressão de Bao Sheng, esteve a cargo de Carlos Alberto Sousa, “Princezito”, e da professora Heldigarda Brito.

O personagem principal, o Camões Crioulo, é um “rapazinho” que de menino ouvia histórias e tornando-se adulto resolveu ser um contador de contos.

Para além de Camões Crioulo, o livro tem como personagens Codê, que viaja com seus amigos Pitxula, Lacinho, André e Moisés, e suas primas Matilde e Rosa, pela história das Ilhas.

Membro da Associação de Estudos Linguísticos (de caráter internacional) da Sociedade Cabo-verdiana de Autores e da Associação de Escritores de Cabo Verde, Maria Augusta Teixeira, “Mana Guta” ganhou, em 2015, o Prémio Lusófono de Literatura Infantojuvenil e Menção Honrosa do Prémio Matilde Rosa Araújo.

Autora da obra “Outras Pasárgadas de Mim”, “Camões Crioulo”, “Nhu Mar”, “O Senhor Araújo”, e “Dá-me de Beber”, Mana Guta foi a vencedora do Prémio Nacional de Inclusão, na vertente literatura em 2012.