Os agentes de diferentes vertentes culturais na ilha do maio, em declarações à Inforpress, manifestaram a sua “preocupação” em relação a forma como a cultura na ilha tem sido tratada quer pelas autoridades locais quer pelos próprios maienses.

O artesão Manuel Silva, conhecido por “Fogo”, residente na vila da Calheta, considerou que a ilha tem todas as condições para a nível cultural estar mais avançando, mas que o pouco interesse das pessoas e poucas ações de promoção por parte da câmara municipal não têm permitido garantir a promoção e a valorização cultural.

“A câmara tem realizado algumas ações para que a cultura local seja mais divulgada, conhecida e preservada, mas isso, na minha opinião, não tem sido suficiente. Tem de haver políticas concretas definidas para a cultura porque da forma como as coisas estão o espaço que a cultura deve assumir será cada vez menor”, afirmou.

Já o presidente do grupo de “Tabanka di Djarmai”, Luís António Freire, “Tana”, na cidade do Porto Inglês, destacou as ações que vêm sendo desenvolvidas pela autarquia com vista a promover essa manifestação cultural na ilha, mas lamentou que a mesma não tem merecido atenção por parte dos munícipes.

“Estamos a dar passos consideráveis na promoção da tabanca aqui no maio, mas é claro que precisamos de mais. Outro aspeto de se lamentar tem a ver com a fraquíssima participação de pessoas no período das festas que decorre durante um mês e a forma como somos tratados porque muitos afirmam que estamos a brincar tabanca porque estamos sem nada que fazer”, disse.

Uma situação que Tana lamenta e espera que irá mudar com o tempo permitindo a tabanka assumir o lugar de destaque que outrora ocupou na ilha, pois, advoga, “o futuro dessa manifestação cultural irá depender da forma como ela for tratada e valorizada hoje por todos”.

Por seu turno, a presidente do grupo de batucadeiras na localidade de Alcatraz, Marli Mendes, defende, que a promoção das manifestações culturais, nomeadamente o batuque, precisa ser incentivada pela autarquia, uma vez que “os grupos enfrentam dificuldades financeiras”.

“A nossa ilha é rica em termos culturais, mas os grupos não têm conseguido elevar essa cultura porque têm falta de recursos financeiros, queremos sempre fazer mais, mas não temos apoio. A câmara municipal tem ajudado, já participamos em algumas atividades, mas isso não tem sido suficiente para nós”, observou.

Por sua vez, a presidente do grupo de batucadeiras na localidade de Figueira Horta, Fátima Ribeiro, afirmou, que não tem havido por parte da autarquia uma “descriminação positiva” em relação aos grupos da cidade do Porto Inglês, apelando, neste sentido, a uma maior valorização e politicas de promoção do batuque e de proximidade com os agentes culturais.

O presidente do grupo teatral “Salinas de djarmai”, Ney Tavares, mostrou-se satisfeito com a forma como o teatro tem sido aceite pelos maienses atualmente, considerando, entretanto, ser um “grande desafio” fazer teatro no maio.

“Ser ator na ilha não é fácil, não temos patrocínios e antigamente as pessoas viam os atores como “pessoas malucas”, mas hoje, graças a Deus, passados tantos anos de teatro aqui no maio, eles têm mostrado interesse em conhecer e apreciar mais essa aérea cultural”, disse, sublinhando que o futuro do teatro na ilha caso for incentivado e valorizado será promissor.

Entretanto, o presidente da Câmara Municipal do maio, Miguel Rosa, destacou as iniciativas e políticas municipais visando promover e valorizar a cultura local, realçando que a ilha hoje tem uma agenda cultural própria, com atividades que decorrem durante o ano.

“Hoje a nível das festividades do município cerca de 60 por cento (%) dos artistas convidados são locais, isso é um compromisso que nós tínhamos antes de iniciar o mandato e estamos a cumprir, resgatamos algumas atividades que são tidos como referência aqui na ilha. O problema é que quando falamos de cultura as pessoas tendem a pensar mais sobre eventos pontuais e avulsas, mas não é assim”, afirmou.

Instado a comentar as críticas dos agentes culturais de que não tem havido políticas concretas para a promoção da cultura local, o autarca disse discordar, salientando que a câmara tem promovido a ilha e o seu produto local.

Frisou, por outro lado, que, a autarquia não pode estar a apoiar os grupos de forma avulsa desafiando, os mesmos a serem mais ativos e a continuarem a dar o seu contributo na promoção da cultura e no desenvolvimento local.

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