José Leitão explicou que, devido ao sucesso do projecto que antecedeu o livro “Simão, O Intrépido Marinheiro”, que foi a transformação em banda desenhada de um romance de Aloísio de Azevedo, um autor brasileiro do Maranhão que, inclusive, obteve prémios, animaram-no a promover o mesmo com uma personagem tipicamente cabo-verdiana e o escolhido foi Simão Salvador.

“Começamos a trabalhar neste sentido e hoje estamos aqui para apresentar esta obra. A ideia é divulgar a obra junto dos alunos do ensino secundário para que conheçam mais profundamente a história de um herói cabo-verdiano”, disse o embaixador José Leitão.

O diplomata brasileiro acrescentou que vão distribuir o livro nas escolas a começar pela Cidade da Praia e, posteriormente, pretende levá-lo a todo o arquipélago.

Por sua vez o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande (CMRG) disse que a obra tem uma “grande importância” para a história do concelho tendo em conta a figura que foi Simão Salvador.

“Simão Salvador é, de facto, o patrono da cooperação entre Cabo Verde e Brasil, pelo acto de heroísmo, e como tal está exposto no salão nobre da Câmara Municipal quer com as medalhas de ouro com que foi condecorado na altura quer através também da pintura a óleo que está nesse salão”, frisou o edil ribeira-grandense.

Orlando Delgado disse ainda que a importância maior tem a ver com o facto de ser uma obra em banda desenhada e, por isso, direccionada para um público infanto-juvenil, ou seja, permite que as crianças conheçam a figura de Simão Salvador.

“A CMRG já tem um grande espólio de Simão Salvador quer através das escritas que estão nas paredes das galerias da CMRG quer através da réplica do navio “pernambucana” em cujo naufrágio Simão Salvador conseguiu salvar, a nado, 13 pessoas o que lhe deu todo esse grande reconhecimento”, disse Orlando Delgado.

O presidente da CMRG apontou ainda algumas obras de homenagem ao herói natural da Penha de França, nomeadamente, a praça Simão Salvador e também a pintura mural na mesma praça.

“Agora estamos a trabalhar para que, brevemente, possamos ter um memorial na zona de Penha de França porque é uma localidade que já tem um circuito turístico a nível do cemitério dos judeus e queremos que Simão Salvador também faça parte deste circuito para que os que nos visitam possam conhecer a importância de Simão Salvador”, projectou Orlando Delgado.

Simão Manuel Alves Juliano nasceu na Penha de França, Ribeira Grande, Santo Antão, e foi emigrante no Brasil, onde trabalhou como marinheiro a bordo do vapor “Pernambucana”.

Em 08 de Outubro de 1853, numa das suas viagens do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro, a embarcação naufragou próximo ao Cabo de Santa Marta, no actual estado brasileiro de Santa Catarina e, “em atitude heróica”, o marinheiro Simão arriscou a própria vida para salvar 13 vidas, entre mais de uma centena de pessoas que pereceram no desastre.

A partir daí passou a ser chamado de “Salvador”.

Foi reconhecido pela sociedade brasileira da época e condecorado pelo Imperador do Brasil, D. Pedro II.

LFS/HF

Inforpress/Fim

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