Em declarações à imprensa, momentos antes da apresentação da obra, Miriam Medina adiantou que é um projecto que começou com uma amiga que sofreu violência no namoro, em Portugal, e que a partir desse momento quis saber mais, como é que andava o namoro na vida dos jovens cabo-verdianos.

A autora disse que teve a oportunidade de fazer palestras sobre esta temática em várias escolas secundárias do país a recolher testemunhos da juventude cabo-verdiana.

Segundo avançou, os testemunhos recolhidos abalaram a sua estrutura emocional porque são histórias muito fortes, com nível de agressividade muito grande e não tinha ideia de que o cenário existente em Cabo Verde era tão violento.

“Há que ter um casamento entre a sociedade, a escola e a família para se trabalhar isso, a começar pela educação, ou seja, os nossos jovens têm de ser educados, educar os meninos a respeitar as namoradas, a saber o limite, a aceitar o não e as meninas a terem amor-próprio”, referiu.

Miriam Medina sublinhou que é preciso também trabalhar a família, porque constatou que muitos desses jovens tem uma carência afectiva muito forte, o que permite estarem num relacionamento abusivo e, a determinada altura, vão ter uma certa atenção por parte do namorado e muitas das vezes acabam por entrar no consumo de drogas e álcool como forma de chamar atenção.

“Acompanho ainda muitos desses jovens, dois anos depois, acho que muitos conseguiram sair do relacionamento abusivo. Tive contacto com várias famílias porque eles ficam com medo e então tem que ter essa relação de confiança entre pais e filhos para que eles possam contar”, sublinhou.

Para Miriam Medina é necessário ter esse nível de confiança e os pais têm que prestar mais atenção nos comportamentos dos seus filhos, ficar mais atentos aos sinais que são dados para ajudarem os jovens.

Por outro lado, defendeu que é preciso ter leis severas e aplicáveis porque muitas dessas vítimas não apresentam queixa por não se sentirem protegidas e algumas foram agredidas no percurso esquadra/casa por ex-namorados.

Segundo adiantou, Santo Antão e Boa Vista são as ilhas onde o peso da violência é maior.

“O livro traz um relato que começou na internet e muitas delas acabam por enviar nudes e quando tentam terminar uma relação são chantageadas”, indicou a autora que disse que é preciso apostar também na informação.

A obra traz 12 relatos de jovens que viveram um relacionamento abusivo, e pretende servir de alavanca para as próprias vítimas saírem do relacionamento abusivo, revelou a autora.

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