O anúncio dos semifinalistas foi feito na terça-feira, 25, numa sessão virtual, coordenada pela coordenadora do concurso, Selma Caetano, pela curadora da biblioteca Nacional de Cabo Verde, Adelaide Monteiro, e pelos curadores Isabel Lucas (Portugal) e Manuel da Costa Pinto (Brasil).

Nesta edição do prémio que distingue anualmente as melhores obras publicadas em língua portuguesa, entre 1.872 obras concorrentes, foram seleccionadas 54 obras de três continentes, publicadas por 34 editoras, sendo 22 romances, 22 livros de poesia, cinco livros de contos e cinco de crónicas.

Portugal, com 187 obras em competição, viu escolhidos 15 obras, sendo sete romances, quatro livros de poesia, três de crónicas e um de contos. Já o Brasil, com 1.649 livros em concurso, destacou-se com 37 obras, sendo 15 romances, 17 livros de poesia, quatro de contos e um de crónicas.

Nos países africanos de língua portuguesa Angola, Cabo Verde e Moçambique, com 17 livros concorrentes, elegeram dois livros, sendo um do autor José Luiz Tavares (Cabo Verde) com a obra de poesia "Instruções para Uso Posterior ao Naufrágio” e do autor Mia Couto (Moçambique) com o romance "O Universo num Grão de Areia".

Em nota de imprensa enviada à imprensa, o mais premiado dos escritores cabo-verdianos, recorda que o livro venceu, enquanto inédito, o Prémio Vasco Graça Moura 2018, da Imprensa Nacional - Casa da Moeda de Portugal.

A esse prémio concorreram cerca de 500 obras inéditas, tendo o júri sido presidido pelo poeta e padre José Tolentino Mendonça (actual cardeal e director da biblioteca do Vaticano), pelo poeta e crítico literário Pedro Mexia, e pelo poeta e editor Jorge Reis-Sá.

O livro foi editado em Setembro de 2019, tendo sido lançado em Outubro durante o Festival literário internacional de Óbidos (com a presença do presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca), com apresentação do filósofo António de Castro Caeiro.

A apresentação em Cabo Verde aconteceu no mesmo mês de Outubro, na Praia e no Tarrafal, com apresentação do poeta e Prémio Camões, Arménio Vieira, que o considerou «a magnum opus» do «miglior fabbro da moderna literatura cabo-verdiana».

Na próxima semana, será editada na Colômbia uma antologia trilingue do autor, «Com o fósforo duma só estrela/ Com el fósforo de una sola estrella», com tradução de Diego Cepeda, e revisão do especialista em Fernando Pessoa, Jeronimo Pizzaro, a anteceder a segunda edição de «Prológo à invenção do dilúvio/Prólogo a la Invéncion del diluvio», lançado em 2018 durante a FILBO, feira internacional do livro de Bogotá, de que o autor foi um dos convidados.

José Luiz Tavares encontra-se neste momento em Cabo Verde, em viagem para prosseguimento do projecto «Pátria Soletrada à Vista do Harmatão», uma radiografia da terra e da alma cabo-verdianas, e deverá sair em livro em 2025, por altura do 50º aniversário da independência do país.

José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive.

Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia.
Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha, sendo o autor cabo-verdiano mais premiado de sempre. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora.

Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. As obras do poeta estão traduzidas para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão.
O poeta disse ter sobrevivido “ao tempo do mundo sem estar conectado a nenhuma rede social”.

JMV/AM/DR
Inforpress/fim

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