Ruth Gonçalves falava em declarações à Inforpress por ocasião da celebração do Dia Mundial da Poesia, que se assinala hoje.

O grupo, criado pela Associação Académica da  (Uni-CV)  e pelo professor Daniel Medina, no âmbito da disciplina “Arte de comunicar e falar em público”, têm vindo a declamar poemas em vários eventos na Cidade da Praia e no interior da Ilha.

De forma espontânea, esses jovens aparecem no meio do público a declamar poemas, uns em crioulo outros em português, francês e inglês, poemas de autores cabo-verdianos e estrangeiros, surpreendendo sempre os ouvintes.

“Não precisamos estar em cima do palco para declamar, mas sim onde estamos podemos declamar. Queremos surpreender as pessoas e normalmente declamados sem anunciar, por isso essa nossa estratégia faz juízo ao nome do grupo”, disse.

Ao declamar poemas, considerou, está-se a dar vida a um livro e a incentivar a leitura desta obra, pois, no seu entender, todos os poemas escritos devem ser lidos.

“Quando estamos a declamar é uma forma de chamar a atenção das pessoas para a leitura, para reconhecer novos autores ou os que são conhecidos, mas estão no esquecimento. Nós declamamos poemas de vários autores, Arménio Vieira,  Kaká Barbosa, e não fazemos uma distinção dos autores” sublinhou.

A responsável do grupo disse ainda que as pessoas que não têm hábito de leitura, lendo poemas, que são textos curtos, é uma “boa forma” de começarem a criar o gosto pela leitura e, dia após dia, vão começar a ler livros maiores e de outros géneros literários.

Ruth Gonçalves, que há mais de cinco anos tem vindo a declamar poemas, disse esta experiência de declamar em qualquer lugar é “ótima e recompensadora”, porque acaba por fazer algo que gosta que é declamar poesia e, ao mesmo tempo, adquirir experiência para falar em público.

“Quando estou a declamar, no início sinto um friozinho na barriga, mas depois sinto-me leve e a cada dia sinto que sou capaz de estar mais em público e isso deixa-me mais livre para comunicar”, enfatizou.

Esta estudante de Jornalismo prefere declamar mais poemas escritos em língua portuguesa do que em crioulo, uma vez que, segundo explicou, o ritmo que coloca num poema em crioulo é diferente de um poema em português.

“Há toda uma técnica para declamar um bom poema, como a tonalidade da voz, saber onde descer e onde subir, onde colocar uma voz diferente, onde fazer uma chamada de atenção. Há poemas que podemos gritar, outros podem ser declamados mais lentos ou numa tonalidade de tristeza e alegria tem toda uma técnica de declamar e o crioulo exige mais” elucidou.

Para o dia 27, Dia da Mulher Cabo-verdiana, o grupo Fora do Palco, numa parceria com a Câmara Municipal da Praia, vai, a semelhança do ano passado, invadir as ruas do Platô e o mercado municipal com declamação e distribuição de poemas para as mulheres que diariamente labutam neste espaço.

O Dia Mundial da Poesia foi criado na 30ª Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999.

Todos os anos celebra-se no dia 21 de março, para comemorar a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação.

A data visa a importância da reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa, já que a poesia “contribui para a diversidade criativa”, inferindo “na perceção e compreensão” do mundo.

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