Recorda que escreveu o primeiro poema andava no 8º ano do ensino secundário. Na altura já escrevia letras de músicas. Diz que “está sempre a escrever novos livros na sua mente, alguns até conseguem ter a sorte de fazer parte dos rascunhos no bloco de notas”. Em conversa com o SAPO, a tarrafalense Júlia Chantre Gonçalves, de 22 anos, falou sobre o seu novo livro “Amor à primeira conversa”.

Júlia Chantre Gonçalves estreou-se oficialmente no mundo da literatura em 2018 com o romance “Cartas para Bárbara Rose”, sob a chancela da editora portuguesa Chiado Books. Segundo a autora que atualmente está a fazer um mestrado em Portugal, o primeiro livro mostra a sua “visão sobre o mundo do amor e como amou até esse momento (até aos 20 anos).”

“Acredito que o primeiro livro de cada escritor é aquele que mostra a verdadeira alegria do seu coração. Estará sempre comigo, para que eu possa lembrar-me dos corações que amei, dos que ainda amo e dos que estão à procura do meu coração e ainda não o encontraram”.

Dois anos se passaram após o lançamento do seu livro de estreia e apesar de Júlia continuar a falar de amor, consegue identificar diferenças entre a primeira obra e o mais recente livro “Amor à primeira conversa”.

“Em termos de escrita, da forma como agora falo do amor, sinto que este livro mostra como cresci nestes dois anos e como retrato agora o amor, menos como um sentimento, mais como uma forma de crescer. Quando leio um poema do primeiro livro e logo a seguir um do segundo, percebo a diferença na minha maturidade enquanto jovem”, diz a jovem.

Mas afinal o "Amor à primeira conversa" existe? Perguntamos a Júlia Gonçalves numa alusão ao título da obra. Ao que a escritora responde que sim “porque a conversa não é apenas ouvir o som das palavras”.

“Às vezes, uma pequena conversa com a pessoa certa, faz com que seja fácil ver a cara do amor. Na primeira conversa, na primeira e certa conversa, encontramos o amor a passear nos olhos da pessoa amada. É preciso saber encontrar o amor nas primeiras conversas que temos”.

Questionada sobre o que a inspira, a autora santiaguense confessa que esta não é uma pergunta de resposta simples.  “A minha inspiração tem tantos corações, que essa é uma pergunta difícil de responder. Acredito que, ao longo da minha vida, conheci pessoas, amizades e amores que acordaram em mim o meu lado poético e romântico”.

A sua segunda obra já se encontra disponível para venda em Cabo Verde e a autora, que nasceu e cresceu no Tarrafal, diz que pretende “fazer o lançamento, em princípio, em dezembro”, e apesar de já ter recebido pedidos para fazer o lançamento em Portugal prefere fazer no arquipélago “onde a família e os amigos conseguem todos comparecer”.

“Vou fazer sempre o lançamento de todos os meus livros na minha terra, "nha kretxeu" para que eu possa assim inspirar mais jovens talentosos a escrever, a jogar, a cantar. Quero que eles consigam ver que há sempre espaço para a arte nascer e crescer”.

O retorno dos leitores tem sido positivo e algumas reações ficam na memória, diz a autora. “Recebi um (feedback) que dizia que o meu novo livro salvou uma vida. Melhor do que isso impossível”, afirma e diz que está à espera da opinião dos cabo-verdianos sobre a nova obra.

Do leque de autores que admira constam nomes diversos como as cabo-verdianas Lara Barros e Dicla Gonçalves, Leonardo Veiga, Princezito, Charles Bukowski, Augusto Cury, Rupi Kaur, Eduardo Sá, Paulo Coelho, Maya Angelou, Pablo Neruda, entre outros.

“Estou sempre a escrever novos livros na minha mente, alguns até conseguem ter a sorte de fazer parte dos meus rascunhos no bloco de notas”, confessa.

Licenciada em Gestão Hoteleira e atualmente a terminar o mestrado em Marketing, esta jovem apaixonada pela escrita confessa que alimenta o sonho de um dia ver uma obra da sua autoria ser transformada em filme.

“Adoro escrever, escrevi pela primeira vez por amor, agora escrevo pelo amor e pelas pessoas que estão à espera de ouvir uma frase que se identifique com algo que elas estejam a sentir ( …) prefiro deixar que a arte fale comigo antes mesmo de fazer grandes planos”.

“É claro que um Prémio Camões não estaria fora das minhas ambições”, conclui.

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