De acordo com o programa a que a Inforpress teve acesso, a conferência acontece na Biblioteca Nacional, na cidade da Praia, no dia 21, e será presidida pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente.

Durante a manhã vários painéis estarão em debate, iniciando por uma aula magna sobre o processo de afirmação da escrita do crioulo (seculo XIX à actualidade) com o investigador e linguista Manuel Veiga, seguido pela apresentação do “estatuto legal da língua materna cabo-verdiano” pelo linguista Marciano Moreira.

O técnico do IPC Martinho Robalo de Brito irá abordar a questão da “Língua Cabo-verdiana (Crioulo cabo-verdiano) enquanto veículo de transmissão de património cultural imaterial cabo-verdiano: inventariação, classificação e disseminação (plano de salvaguarda)”, enquanto o professor Saidu Bangura debruça-se sobre “a crítica da razão linguística: a língua cabo-verdiana no contexto pós-colonial”.

A conferência termina com o tema “Que perspectiva de abordagem para assunção escrita da língua crioula cabo-verdiana”, cuja apresentação estará a cargo da linguista e curadora da Biblioteca Nacional, Adelaide Monteiro.

Já no período da tarde está prevista a apresentação de algumas iniciativas digitais para a língua cabo-verdiana, nomeadamente o vocabulário/dicionário electrónico da língua cabo-verdiana, apresentação de um canal no Youtube para promoção e divulgação da língua cabo-verdiana através da literatura infantil em livros 3D.

As actividades terminam com a apresentação do livro Famintos (de Luís Romano) por Ana Cordeiro com a leitura de um texto sobre o autor enquanto defensor da valorização da língua cabo-verdiana e das tradições orais cabo-verdianas.

A língua cabo-verdiana foi elevada a Património Imaterial Nacional em Julho de 2019. Esta proposta foi aprovada por unanimidade na reunião do Conselho de Ministros.

Na altura, em conferência de imprensa, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, informara que a sustentar esse dossiê, de três mil contos, foi feito um trabalho técnico de levantamento e peritagem por uma equipa técnica do IPC e ainda existe um manifesto assinado por oito dos 13 ex-ministros da Cultura desde a independência de Cabo Verde.

O mesmo considerou esta elevação como um passo “muito importante” para a valorização do crioulo, da língua cabo-verdiana como um todo e a sua valorização como uma peça para a morna como Património da Humanidade.

A valorização formal da língua cabo-verdiana como património imaterial de Cabo Verde, disse na ocasião o ministro Abraão Vicente, implica que se criem as condições para que se estude, se promova e se valorize esta língua a nível nacional e Internacional.

O plano de valorização desta língua prevê a elaboração do vocabulário da língua cabo-verdiana, a criação de momentos de valorização da língua cabo-verdiana, seja em espaço físico ou através da media, promover a criação de um centro de estudo da língua cabo-verdiana nas suas mais variadas dimensões, promover curso de aprendizagem e promover edições da literatura cabo-verdiana.

O Dia Internacional da Língua Materna foi proclamado pela Unesco em 17 de Novembro de 1999 e foi reconhecido formalmente pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que estabelece 2008 como o ano internacional das Línguas.

O dia Internacional da Língua Materna tem origem no Dia do Movimento da Língua, que é comemorado no Bangladesh (anteriormente Paquistão Oriental) desde 1952.

O dia é comemorado anualmente pelos estados membros da Unesco e em suas matrizes para promover o multilinguismo e a diversidade linguística e cultural.

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