Jair Fernandes falava em entrevista à Inforpress para um balanço das atividades do ano de 2019, que considerou “muito positivo”, e perspectivas para o ano que já está em curso, que, segundo disse, será um ano da consolidação de vários projetos.

Iniciando pela morna, classificada no final do ano como Património Cultural Imaterial da Humanidade, disse que há “muita expectativa” em relação a esse processo e que estão a trabalhar no plano de salvaguarda, que será socializado com a comunidade da morna no mês de fevereiro.

Conforme sublinhou, o Plano Salvaguarda é um documento “altamente científico, muito metódico” que carece de um tratamento diferenciado.

É nesta prespectiva que estão a trabalhar na simplificação da linguagem deste documento e na elaboração de um pequeno catálogo que será distribuído à comunidade.

Ainda em relação ao património imaterial, informou que há um trabalho contínuo com a tabanca e com a língua cabo-verdiana, que foram classificadas em 2019 como património nacional.

Relativamente à tabanca, avançou que vão elaborar o seu plano de salvaguarda, com vista a criar as bases para que no futuro estejam em condições de apresentar a sua candidatura a património imaterial da Unesco.

No que toca à língua cabo-verdiana, informou que vão assinalar, no dia 21 de fevereiro, os 40 anos do Colóquio de Mindelo com uma conferência internacional sobre a língua materna.

No quesito museu, Jair Fernandes adiantou que vão dar continuidade aos trabalhos através da implementação do Plano Estratégico dos Museus, a contratação de novos quadros a nível nacional e a apresentação, ainda neste primeiro trimestre, do Perfil dos Visitantes dos Museus.

Outro projeto que também terá continuidade é o Inventário do Património Cultural Imóvel do país, cuja apresentação pública será feita no dia 18 de Abril, dia em que se assinala o Dia internacional dos Monumentos e Sítios.

Contudo, Jair Fernandes avança que até ao presente momento foi feito um levantamento exaustivo a nível nacional, faltando apenas as ilhas de São Vicente e de Santo Antão.

“Desse levantamento já foram identificados mais de mil bens patrimoniais imóveis a nível das ilhas, devidamente georreferenciada, e cujo trabalho de gabinete, ou seja, a edição dos dados históricos, arquitectónicos tem tido um ritmo muito interessante”, revelou.

Ainda para o ano de 2020, avançou, há dois projectos que terão uma perspectiva diferente, designadamente a valorização da paisagem cultural do Parque Natural de Cova, no concelho do Paul e da Ribeira da Torre, no concelho do Ribeira Grande, que venceu o prémio internacional `Melina Mercouri´ da Unesco em 2019 e a valorização do património judaico em Cabo Verde.

Em relação ao primeiro, relembrou que o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, anunciara que este prémio abre potencialidade das regiões de Santo Antão virem a ser classificadas património misto (cultural e natural) da humanidade.

Relativamente a um outro projecto iniciado no ano anterior, a valorização da Olaria de Fonte Lima, que transita para este ano, considerou que este vem cumprindo na íntegra os quatro Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desde o empoderamento das mulheres, a questão climática, a questão do género, a luta contra a pobreza e a própria questão patrimonial.

“É um projecto no qual depositamos uma grande expectativa, não só para o micro espaço que é Fonte Lima, mas também a possibilidade que se abre para os outros Centros de Produção em Cabo Verde, nomeadamente Trás-os-Montes no Tarrafal, como Rabil na ilha da Boa Vista”, ajuntou.

Para este ano, o IPC irá apresentar, em fevereiro, o Plano Estratégico de Educação Patrimonial, um documento que prevê projectos, actividades e acções no domínio da educação formal e informal, elaborado em parceria com a Fundação Amílcar Cabral e com a Direcção Nacional da Educação.

Conforme disse, mais do que entregar aos professores as ferramentas pedagógicas ou os conteúdos em relação ao património, a história e a cultura de Cabo Verde é necessário haver uma articulação com as escolas, com as associações comunitárias e com a comunidade no seu todo.

No domínio do património subaquático, a mesma fonte avançou que vão finalizar o plano de ação para este património em Cabo Verde, tendo como suporte o projecto “Margullar” e o projecto de arqueologia subaquática denominada “CONCHA”.

Tanto um como outro, informou, teve resultados imediatos com a ratificação da Convecção do Património Cultural Subaquático, e a criação da Comissão para Valorização e Prevenção do Património Cultural Subaquático em Cabo Verde e o passo seguinte será a criação dos roteiros subaquáticos nacionais.

“O primeiro ensaio será na Cidade Velha, mas isso carece de normalização jurídica, da formação dos técnicos para fiscalização e, posteriormente, entrarão aqui os novos actores que são os operadores turísticos”, disse, acrescentando que a finalidade última é a “criação de novos recursos e novos atractivos para o turismo e um novo seguimento que é o seguimento de valor acrescentado”.

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