Abraão Vicente, que discursava na abertura da conversa aberta à volta do Arquivo Nacional, mostrou o interesse em mudar o paradigma daqueles que vêem o Ministério da Cultura como o “ministério mais pequeno e o mais pobre” do Orçamento do Estado e que qualquer recurso colocado à cultura “não é um investimento”.

“Estamos nesse processo de pedagogia pública, mas também de pedagogia não só com o Governo, como também com próprio Estado, no sentido de se perceber que um investimento no Arquivo Nacional, na Biblioteca Nacional e no Instituto do Património Cultural é um investimento não só de memórias, mas também um investimento para o futuro”, considerou.

Segundo o governante, a entrega, com “sucesso”, da candidatura da Morna a património imaterial da humanidade na UNESCO só foi possível porque conseguiu-se mobilizar os recursos técnicos.

Isto é, explicou, conseguiu-se ultrapassar a etapa em que tudo era visto como “acto simbólico da entrega”, para conseguirem convencer o Governo a investir recursos necessários para a construção do dossiê técnico da Morna.

Falando ainda do desafio do setor da Cultura, Abraão Vicente disse pretender incluir este setor nas linhas de cooperação internacional.

Conforme disse, o setor da Cultura tem sido sub-financiado em todos os projectos e em todos os protocolos internacionais dos sucessivos Governos.

Lembrou, por isso, que quando se colocam as prioridades do país, em nenhum Governo a Cultura surge como algo a ser “financiado prioritariamente” nas relações internacionais.

“Prova disso é que quase todos os investimentos em pauta pelo Ministério da Cultura são financiados pelos recursos próprios do Estado”, ajuntou.

De referir que a fatia do Orçamento do Estado para 2019 referente à Cultura (incluindo a comunicação social) é de 0,6 por cento (%).