Neste momento de crise provocada pela pandemia da covid-19, sentida nas diferentes classes profissionais do País e da ilha, a classe artística, principalmente, a que vive exclusivamente da música e da arte, sofreu um grande impacto a nível financeiro, tendo ficado sem rendimentos dado à problemática.

Entretanto, já diz o adágio popular, que “há males que saem por bem”.

É que, a Associação de Músicos do Sal (AMS), criada em 2013, mas oficialmente constituída em 2016, depois de vários anos inactiva, por “falta de união da classe” conforme admitiu o seu presidente, Amilton Évora, eis que a corporação se ergue agora com a situação de pandemia para, em parceria com a Câmara Municipal do Sal, apoiar os músicos locais.

Essa parceria prende-se com a realização de show online, através do faceboock ou outras plataformas e redes sociais.

A ideia surgiu porque os artistas que diariamente animavam a comunidade local e turistas nos hotéis, restaurantes ou vendiam os seus produtos artesanais quer nos Espargos, quer em Santa Maria viram-se desprovidos desse seu sustento, provocado pela crise do novo coronavírus, a covid-19.

Para Amilton Évora, Toicas Évora, seu nome artístico, fundador e presidente da Associação de Músicos do Sal, a dinamização da sociedade, depois de muito tempo inactivo, é um “momento histórico”.

“Na verdade temos um problema de união de classe aqui no Sal, daí a associação não ter funcionado há mais tempo. Mas hoje estou contente, feliz. Este é o início de muitos projectos que vão vir pela frente”, manifestou, apelando aos músicos à consolidação dessa união a partir de agora.

“Se não fosse a covid-19, talvez o pessoal não viesse a unir. Estou muito feliz, e que continuemos unidos”, manifestou.

Toicas Évora, gestor de profissão, e tem a música como um hobby, entende que “muita coisa” deverá ser mudada, particularmente no que diz respeito à “concorrência desleal”.

Explicou que essa concorrência desleal dá-se a nível de preços de actuação, praticados no mercado salense, especialmente por músicos estrangeiros e outros músicos que vêm de outras ilhas, de São Vicente, por exemplo.

“Mas para isso temos que ter ajuda das autoridades. Temos concorrência desleal por parte de músicos estrangeiros, vêm tocar e recebem mais do que nós, os que vêm de São Vicente recebem menos, o que também prejudica os músicos locais. Bares, restaurantes e hotéis também exploram os artistas locais”, desabafou.

Com este projecto, onde a câmara vai entrar com 300 contos durante dois meses, os músicos poderão ganhar 10 mil escudos por cada show online, através do faceboock ou outras plataformas e redes sociais.

E para que as coisas corram bem e de melhor forma a Associação de Músicos juntamente com a Escola de Arte Tututa vão desenvolver um plano de actuação, com número individual ou colectivo até três pessoas.

Poderão participar no Sal Fest Online, mediante inscrição, artistas residentes no Sal, que se dedicam exclusivamente à música, dança e arte.

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