Depois de uma semana de muita animação teatral e de encenação de estórias, chega hoje ao fim da segunda edição o Festival de Teatro do Atlântico, levado acabo pela Companhia de Teatro Fladu Fla e que reúne num mesmo palco vários grupos nacionais e internacionais.

O palco deste certame será encerado logo mais à noite pelo grupo de Dança Raiz di Polon com a peça “2 sem 3”.

Em declarações a anteceder o encerramento falaram a representante do Brasil e do grupo de Portugal que manifestaram o seu agrado em poder partilhar o conhecimento com outros actores.

Nuno Correia Pinto, do grupo Fio d ´Azeite da Associação Chão de Oliva de Sintra de Portugal, juntamente com outro colega apresentou a peça “Sopa de Pedra” que conta a história da vida de Francisco de Asis, através de objectos espalhados pela sala do Auditório Nacional.

Para este artista, através dos seminários e das encenações cada grupo trouxe a sua experiência para partilhar e no final todos saíram mais enriquecidos.

“Tem sido muito enriquecedor porque tenho visto coisas muito boas, muito variadas e isso sempre leva a aprendizagem. Nós que estamos na Europa muitas vezes pensamos que já sabemos tudo e a verdade é que nós não sabemos nada. E há aqui alguma linguagem que é preciso conhecer para enriquecer o meu trabalho” reconheceu.

A actriz brasileira Lilian Padro, que participa pela primeira vez neste festival, trouxe para a sala do Auditório Nacional o espectáculo a Epifânia, um texto da dramaturga brasileira Maria Chu.

Espectáculo este que, segundo disse, foi “desafiador e enriquecedor” numa altura em que o Brasil atravessa um “momento político difícil”, isto é, às eleições para escolha do presidente.

Através desta peça demonstrou a esperança do povo brasileiro que quer continuar a ter espaço enquanto artista, enquanto mulher, homem ou homossexuais e que querem ver a diversidade prevalecer sempre.

Para esta encenadora, todos os artistas devem ter o privilégio de fazer este tipo de intercâmbio, porque “muda muito e transforma o jeito de cada um de fazer a arte”.

“Acho que é algo extremamente enriquecedor e espero que esteja sendo para as outras pessoas dos outros países e é uma troca incrível e faz a gente abrir os nossos horizontes. A gente enxerga que não tem só o nosso jeito de fazer a arte”, enalteceu.

Por parte da organização, o presidente da Companhia Fladu Fla, Sabino Baessa considerou que apesar de alguns contratempos que impediu a presença de alguns grupos nacionais (Sal, São Nicolau e Santo Antão) e internacional (Cuba), o balanço é positivo, pois foi uma autêntica “cachupa rica”.

De acordo com este responsável, cada grupo trouxe a sua singularidade cultural e através dos espectáculos conseguiram identificar os traços culturais de cada país e de cada ilha, uma vez que é um evento que visa promover a identidade cultural dos países do corredor Atlântico.

“Na verdade, conseguimos trazer para o país a identidade cultural dos países, tanto que constituem a origem da cultura cabo-verdiana, como à extensão da cultura cabo-verdiana, que é o caso do Brasil”, exemplificou.

Este certame, destacou, foi uma oportunidade de avaliar o estado de saúde dos grupos a nível nacional e de criar sinergias para que haja partilha de experiência com os grupos.

“Havendo essa sinergia, no futuro vamos padronizar o nível de qualidade a nível nacional equiparando com as produções internacionais”, almejou.

Mais uma vez a participação do público foi “aquém do desejado”, mas Sabino Baessa enalteceu a presença daqueles que procuraram as salas dos espectáculos para enriquecer a sua cultura e para elevar o seu nível de conhecimento.

Participam nessa II edição os grupos nacionais, nomeadamente Santiago, Fogo, Brava, São Vicente e a nível internacional marcaram presença Portugal, Angola, Espanha, Guiné e Brasil.

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