Em declarações à Inforpress, Sabino Baessa disse que muitos artistas são convidados a participarem num determinado evento cultural no estrangeiro, mas muitas vezes acabam por não ir, devido a alguns constrangimentos.

Algumas vezes são negados o visto para a deslocação, outras vezes por falta de verba para aquisição do visto e outras vezes por falta de coordenação entre a entidade responsável pela concessão de vistos e a polícia de Fronteira, apontou.

“Tivemos alguns constrangimentos quanto à viagem para Macau, em outubro, com o visto de trânsito. No Centro Comum de visto disseram que não era necessário, entretanto, na fronteira fomos impedidos de viajar sem visto de trânsito para Portugal”, recordou.

No que toca ao custo para aquisição de visto, em que é cobrado cerca de 6 mil escudos, disse que é um preço elevado, pois, na última deslocação do grupo (constituído por quatro atores e dois técnicos) para Portugal, onde iam participar no Festival de Periferia, em Sintra, tiveram de desembolsar mais de 30 mil escudos.

“Mesmo que uma organização internacional aprecie o trabalho artístico de um grupo e assumem todos os custos da viagem e da estadia, o custo de obtenção do visto pode criar alguma dificuldade na participação desses artistas nos eventos internacionais”, sublinhou.

Todos esses constrangimentos, disse, criam “alguma barreira” no processo de produção e do reconhecimento dos artistas lá fora.

Diante dessas dificuldades, defendeu que o Governo deve dar um tratamento especial à dinâmica das representações culturais fora do país e redefinir a estratégia de facilitação de vistos para os artistas, pois, estes são os embaixadores da cultura do país.

“Os artistas são voluntários, isto é, são funcionários do Ministério da Cultura, mas sem nenhum encargo salarial com o MCIC, por isso penso que o ministério deve criar condições para facilitar a dinâmica que esses artistas trazem para a própria instituição”, advogou, afirmando que se há uma estratégia política para criar condições para a mobilização de pessoas no espaço Europeu, há que pensar também na mobilidade dos artistas.

Entretanto, recomendou, que, primeiramente, há que definir um processo de classificação dos artistas, isto é, quem pode ser considerado artista.

A mesma fonte acredita que este processo não será “simples”, contundo, afirmou que é necessário porque é uma forma de reconhecer e valorizar a identidade cultural do povo.

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