Em declarações à imprensa, à margem do evento, cujo descerramento da placa do “Jardim Jorge Barbosa” coube aos dois ministros e a filha do escritor Zilda Barbosa, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, adiantou “ser bom” quando as instituições reconhecem a cultura e o peso simbólico nos seus serviços.

“É de certa forma simbólica ver que o vice-primeiro-ministro e as instituições que aqui estão sediadas entendem o espírito e alma de Jorge Barbosa. Num momento em que Cabo Verde está num profundo processo de reabilitação do seu património construído, é bom ver que se começa a ver a parte imaterial”, disse.

Para Olavo Correia, Cabo Verde e todos os que fazem parte deste arquipélago são orgulhosos quer do nome como do legado de Jorge Barbosa que é considerado um “grande poeta” que fez parte do movimento claridoso que “colocou o país na agenda”.

“O Ministério das Finanças quer ser um parceiro da cultura e como temos muitos poetas cabo-verdianos que estiveram ligadas às finanças, alfandegas e ao sistema bancário, que queremos, enquanto ministério, coloca-los em agenda”, realçou, sublinhando, por outro lado, que a intenção do Ministério das Finanças é fazer do espaço não só para trabalho, mas também de cultura e lazer.

A filha do escritor, Zilda Barbosa, manifestou a sua gratidão para com mais esta homenagem que, no seu entender, realça a memória do pai, Jorge Barbosa.

“É mais uma forma de reconhecer o seu nome e divulgar a sua obra. Já reeditaram as obras e o nome tem sido atribuído a escolas, auditório e agora ao jardim da casa onde ele nasceu”, disse.

O escritor Jorge Vera Cruz Barbosa nasceu na ilha de Santiago de Cabo Verde a 22 de maio de 1902, fez os seus estudos primários na cidade da Praia e seguiu depois para Lisboa, onde estudou até ao 3° ano.

Regressou para Cabo Verde, continuando os seus estudos até ao 5° ano, tendo aos 18 anos começado a trabalhar na Alfândega de São Vicente e mais tarde percorreu quase todas as ilhas em serviço, para onde era transferido. Aposentou-se na ilha do Sal, em 1967, com sessenta e cinco anos, com a categoria de diretor de alfândega.

Em setembro de 1970, já bastante adoentado do coração, vai a Portugal tratar-se, falecendo três meses depois, em janeiro de 1971.

O escritor, que colaborou em várias revistas e jornais portugueses e cabo-verdianos, publicou em vida três livros: Arquipélago (1ª edição em dezembro de 1935, sob a égide da Editorial Claridade), Ambiente (1ª edição em 1941, Praia, Minerva de Cabo Verde) e Caderno de um Ilhéu (1ª edição em 1956, Lisboa, Agência Geral do Ultramar).

O “Arquipélago” foi um marco para o nascimento da poesia cabo-verdiana, e, por isso, é considerado o pioneiro da moderna poesia cabo-verdiana, onde os problemas sociais e políticos passaram a constituir uma das grandes temáticas do escritor.

Postumamente, em 2002, a sua obra poética foi reunida pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, onde se acrescentou três livros inéditos, ordenados pelo poeta: I ’96 Expectativa; II ’96 Romanceiro dos Pescadores; III ’96 Outros Poemas.

Jorge Barbosa viveu os três períodos da literatura cabo-verdiana. O primeiro, pré-claridoso, de 1928 a 1935 (poesia inédita em livro até Arquipélago); o segundo, o período claridoso, de 1935 aos fins dos anos 1950 (incluindo a publicação de Ambiente e Caderno de um ilhéu); o terceiro, de 1959 a 1969, pós-claridoso ou da mudança (poesia inédita).