Esses instrumentos foram disponibilizados pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), através do programa Bolsa de Acesso à Cultura (BA-Cultura), e constitui um investimento que vale a pena ser feito, no entender de Ulisses Correia e Silva, pelo que “o Governo vai continuar a apostar e a multiplicar o valor porque o retorno tem sido grande”.

Para o primeiro-ministro é um investimento inclusivo já que muitas crianças e famílias pobres são excluídas de bens não essenciais e importantes, observando que a cultura é essencial e importante como as outras actividades que são realizadas e, por isso, o Governo tem de torná-la acessível e disponível para que o rendimento das famílias em situação de pobreza não seja um obstáculo em absoluto ao acesso a cultura.

“As crianças e jovens quando estão preenchidos com acesso à arte e à cultura desviam-se de várias outras tentações que a sociedade tem na rua”, disse o chefe do Governo que promete aumentar o orçamento para a Bolsa de Acesso à Cultura de modo a ter mais impacto sobre inclusão e felicidade dos jovens e das crianças.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente referiu que a cultura e o desporto são os dois sectores mais propensos para ter algum milagre num país como Cabo Verde, observando que “historicamente os grandes talentos podem ser impedidos de atingir todo o seu potencial se não tiver acesso à escola, ensinamento e aprendizagem”, sendo que o sucesso dos grandes artistas é o resultado de extrema persistência.

“A percepção de que tudo na cultura é intuição e talento está errada porque se tem área que é especializada é a da cultura”, defendeu Abraão Vicente, para quem os grandes talentos, em qualquer parte do mundo, tiveram acesso a aprendizagem.

A Bolsa de Acesso à Cultura está a ajudar as escolas a terem mais instrumentos para que os alunos tenham acesso ao ensino de qualidade, sendo que todas as 72 escolas existentes, a nível nacional, serão contempladas e por isso pediu às escolas da ilha que façam bom uso dos instrumentos que representam um investimento grande.

O titular da pasta da Cultura indicou que o programa BA-Cultura, no seu primeiro ano, teve um orçamento de oito mil contos e que este ano, mesmo com orçamento rectificativo, tem um orçamento de 22 mil contos, mantendo assim o orçamento inicial.

A coordenadora do programa de acesso à Cultura, Indira Monteiro Lima referiu que este é o primeiro acto de entrega de instrumentos às escolas de música na ilha do Fogo.

Na sua intervenção indicou que o BA-Cultura começou em 2017 com 42 escolas e que neste momento conta com 72 escolas financiadas pela BA-Cultura, com 2.400 alunos bolseiros, observando que na ilha do Fogo o programa começou com sete escolas e hoje tem o dobro, 14 escolas, beneficiando de forma directa 485 alunos como bolseiros.

“Fogo é a segunda ilha com mais beneficiários do programa, aumentou quase 50 por cento”, disse a coordenadora do programa lembrando que o mesmo foi pensado para atenuar alguns males que atingem a sociedade.

Os presidentes das câmaras de São Filipe e de Santa Catarina do Fogo, Jorge Nogueira e Alberto Nunes, respectivamente, presentes na cerimónia, destacaram a importância do investimento no desenvolvimento e aprofundamento da cultura, mas também da inclusão que o programa proporciona.

O autarca de São Filipe indicou que a sua câmara está engajada no projecto e já aprovou regulamento para conceder terreno para que as escolas de música possam construir as suas sedes, devendo a mesma ajudar também com materiais para ter espaço adequado.

As escolas também agradeceram pelos instrumentos e pela implementação do programa BA – Cultura, um programa inovador que tem impulsionado o aparecimento de novos talentos em Cabo Verde.

A entrega de instrumentos musicais às escolas e associações da ilha vai garantir a inclusão da arte à população com menos recursos através do financiamento de propinas dos alunos e, por outro lado, a sustentabilidade das iniciativas de escolas de ensino artístico, sendo que estes instrumentos vão beneficiar um total de 450 bolseiros do BA-Cultura.

As escolas de Bokarrom e de Beltchés (São Filipe) foram contempladas com duas guitarras e um cavaquinho cada, as de Escala Maior e Ritmo de Burcan (vulcão) de Santa Catarina com três guitarras cada, associação Juvenil de Relva e Scola di Musica – Burcan (escola de musica vulcão), dos Mosteiros com duas guitarras e uma bataria, respectivamente.

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