Estes dois projetos, que contam com o apoio do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do edital de financiamento 2019, segundo o autor, visam a valorização da tradição oral cabo-verdiana e a valorização e preservação de instrumentos etnocultural de Santiago, simbôa “cimboa em português”.

Segundo afirmou, hoje, em declarações à Inforpress, a cimboa é um instrumento musical que vem da base da escravatura, isto é, começou na formação básica da identidade social, cultural e musical cabo-verdiana, mas hoje em dia está em via de extinção.

Já a narração oral é uma manifestação cultural trazida pelos antepassados, mas que está a ser retomada pela nova geração, pois a intenção é trazer “sangue novo” e uma “maior dinâmica” para esta manifestação cultural.

Neste momento, informou que dez jovens, na faixa etária dos 20 a 30 anos, estão a participar numa formação básica em técnica de tradição oral e vertente lúdica e neste sábado, 10, vão iniciar a fase de construção de espectáculos no Palácio da Cultura Ildo Lobo.

“Antigamente os mais velhos tinham vontade de partilhar, tinham as suas estórias e as suas mensagens e escolhiam momentos para aconselhar. Por exemplo, se um jovem está na idade de sair de casa tinham um texto para prepara-los para uma vida a dois (…) e hoje estamos a trazer esta mesma vertente de contar estórias, mas com parte lúdica, com musicalização da estória, animação com frases e provérbios com vertente diferente”, informou.

Este activista teve a oportunidade de, no ano passado, participar no Festival Internacional de Narração em Lisboa (Portugal) onde, segundo disse, constatou que noutros países também há esta preocupação em resgatar as tradições e trazer outras dinâmicas.

No que toca ao projecto de resgate da cimboa, fez saber que com o financiamento do edital o artesão Pascoal de São Domingos já confeccionou mais de duas dezenas de cimboas, mas a ideia é pelo menos fazer 50 cimboas, que deverão ser distribuídos aos grupos de batuque de cada concelho.

“O nosso objectivo é que cada concelho tenha uma batucadeira e um tocador de cimboa, por isso vou deslocar-me ao interior para fazer a montagem de cimboa no terreiro”, disse.

Este activista cultural espera que outras instituições abracem este projecto, uma vez que tem deparado com falta de matéria-prima como cabaz e rabo de cavalo para a confecção da cimboa.

Gil Moreira reconheceu que este trabalho de tocador de cimboa não é fácil, porque o jovem tem de conquistar o dom e ter aptidões para este instrumento e ainda tem de conseguir identificar cada sonoridade das notas.

Entretanto, asseverou, com o apoio da sua companhia cultural estão a colocar as “mãos na massa” para ensinar o básico aos jovens, pois, a ideia é lançar esses dois projectos no âmbito do dia Nacional da Cultura em Outubro.

Recentemente, a companhia cultural de Gil Moreira esteve a representar Cabo Verde em Macau no Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Neste festival, informou levaram a cultura da ilha de Santiago, isto é, a tabanca, a cimboa, o batuque, a reza e o choro e conseguiram retratar a origem da cultura do povo cabo-verdiano.

Ainda, informou, teve oportunidade de ensinar a um compositor da Associação Amizade Macau-Cabo Verde a tocar cimboa com o seu grupo de batucadeiras, mas numa segunda fase vai ensina-lo a tocar cimboa com outros estilos.

Depois de Macau, a companhia esteve em Portugal, a convite da Associação de Cova da Moura e de Miguel Horta, onde participaram em actividades de contação de estórias para crianças.

Ficou ainda o compromisso de voltar em outubro para ministrar uma formação sobre cimboa e contação de estórias.

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