O comandante Pedro Pires deu a conhecer essa intenção da FAC em declarações à imprensa à saída hoje de uma audiência com o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, segundo disse, por entender ser imprescindível a colaboração do Governo com quem tem estado a tratar esta questão, assim como com a Comissão Nacional da UNESCO.

Conforme avançou, a Fundação quer aproveitar a próxima Cimeira da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que se realiza em junho próximo na ilha do Sal, para introduzir esta questão junto do secretariado, de forma a ser debatida pelos dirigentes que estarão neste colóquio.

“Procuraremos fornecer todas as informações que estão connosco, bem como as nossas intenções”, disse Pedro Pires, sublinhando que a fundação Amílcar Cabral pretende fazer também diligências junto dos dirigentes dos demais países sobre a questão da documentação e da memória de Amílcar Cabral, “considerado o pai da nacionalidade”.

Explicou, por outro lado, que documentação que precisa ser trabalhada, razão por que considera ser necessário “insistir-se” neste aspecto da preservação e recolha das memórias, porquanto, considera ser interessante “fazer qualquer coisa de comum”, que poderá passar pela ideia de se solicitar, nomeadamente um eventual apoio diplomático da CPLP.

Antigo companheiro de Amílcar Cabral na luta armada para a libertação e independência da Guiné e Cabo Verde, o comandante Pedro Pires disse que a fundação já fez as diligências recomendadas pela secretária executiva da CPLP, em Lisboa, no sentido do “pedido do apoio institucional” para que este assunto venha a ser debatido na reunião de Junho, na ilha do Sal.

Fez questão de sublinhar que a Fundação Amílcar Cabral se afigura como uma das depositárias da documentação sobre a memória de Amílcar Cabral, de diversa natureza, tendo já reeditado a maioria dos seus escritos, enquanto almeja ainda “reproduzir algum trabalho pouco conhecido”.

“Há outros depositários desta memória”, enfatizou Pedro Pires, lembrando que “uma boa parte da documentação do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICG) está depositada na Fundação Mário Soares, em Portugal”.

A esse propósito, adiantou que a fundação que dirige está preocupada e desejosa “para que se faça tudo em defesa e preservação das memórias e dos escritos de Amílcar Cabral”.