A garantia foi deixada pelo titular da pasta da Cultura, Abraão Vicente, durante a sua primeira visita guiada às instalações da Casa das Bandeiras, acompanhado do seu administrador, Henrique Pires.

Questionado se a sua participação em 2020, depois de quatro anos à frente do Ministério da Cultura, tendo em conta a dimensão das tradicionais festas da bandeira, não peca por tardia, Abraão Vicente disse que “nunca é tarde”, explicando que dá pouca importância a sua participação física a estas coisas e que as pessoas já se aperceberam que ele é pouco dado aos festivais e festas, porque não é papel do ministro da Cultura e dos governantes estarem presentes e viver as festas.

“Recuso-me a fazer este trabalho populista e um pouco demagogo de estar presente em todos os sítios porque não estou em campanha. Governar tem outra dimensão que deve ser preservada e sou um governante que não quer ser conotado com pessoas que anda perto das outras apenas para o voto”, afirmou.

Abraão Vicente disse que 2020 é o ano que decidiu estar fisicamente nas festas da bandeira de São Filipe para “saudar, prestigiar, mostrar o apoio” do Ministério da Cultura, observando que nos anos anteriores não esteve fisicamente, mas a Casa das Bandeiras sabe que pode contar com apoio do ministério que dirige.

Segundo o mesmo, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativa tem feito um “trabalho estruturante” que “deixa marcas” que “falarão do trabalho” da sua equipa e não acredita que seja tarde demais a sua participação nas festas.

Prova disso, continuou, é que esteve nas suas instalações durante todo o festival Morabeza onde colocou “o dedo na ferida” sobre aquilo que não correu bem a nível de mobilização.

“Vamos financiar a festa e vamos colocar já no edital de 2020, porque nos anos anteriores a Casa das Bandeiras enviou os projectos, mas infelizmente não conseguimos financiar”, disse Abraão Vicente, indicando que para o próximo ano “é uma certeza o patrocínio” e as festas da Bandeira são um dos grandes projectos, juntamente com o festival de teatro Mindelact e Morabeza, que vão ter financiamento.

Com relação à Casa das Bandeiras, Abraão Vicente mostrou-se impressionado com o trabalho desenvolvido pela fundação que congrega, organiza e dá suporte às festas da bandeira.

Em declarações à Inforpress no final da sua visita às instalações da Casa das Bandeiras, Abraão Vicente disse que a ideia é trabalhar com esta instituição para reforçar as actividades que desenvolvem, mostrando abertura do seu Ministério para ajudar no funcionamento e no redesenho da sala informática, que está neste momento desactivada.

Para Abraão Vicente, a Casa das Bandeiras tem todas as condições para ter uma programação continuada e de “grande qualidade”, já que dispõe de um espaço com capacidade para mais de 400 lugares, onde se realizou a abertura do festival Morabeza – Festa do Livro.

A visita também serviu para pensar como o Ministério pode ajudar a Casa das Bandeiras a ter uma sustentabilidade durante o ano e nas festas da bandeira, sublinhando que “é impressionante a estrutura e a capacidade de organização e de mobilização de parceiros” da instituição.

“A Casa das Bandeiras tem um espólio muito interessante”, destacou Abraão Vicente, indicando que ela dispõe de um espaço que configura mais a um núcleo etnográfico de que um museu, que precisa de algum trabalho, daí comprometer-se em enviar uma equipa técnica para perceber o que se pode fazer e melhorar.

Quanto à possibilidade de transformar o centro informático numa biblioteca, o ministro da Cultura indicou que nos dias de hoje é necessário pensar que biblioteca se quer ter porque, precisou, com a Internet deve-se pensar numa biblioteca com acesso a livros digitais.

Segundo o mesmo, não se vai falar numa biblioteca física, mas pensar nas bibliotecas virtuais em que as pessoas tenham acesso através de computadores, tabletes, da Internet a plataformas internacionais que disponibilizam milhares de livros, sublinhando que se pode fazer uma biblioteca física para preservação daquilo que é o espólio que a Casa das Bandeiras já possui.

O administrador da Casa das Bandeiras, Henrique Pires, mostrou-se satisfeito com a primeira visita do ministro da Cultura tendo no final sugerido ao mesmo que tente salvaguardar “documentos preciosos e patrimónios arquitectónicos”, nomeadamente toda a documentação da família de Aníbal Adolfo Avelino Henriques, também conhecido como Nho Aníbal, e a casa do Morgadio de Pico Pires.

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