“Estamos diante de um livro que não se verte ao “locus” e ao “focus” tradicional da poesia das ilhas, ficando os deles em verbalidades transcolais e transfocais, diria de contiguidades oníricas onde Cabo Verde mantém-se como parábola latente, latejante e incessante”, notou Filinto Elísio, durante a apresentação da obra.

Acrescentou, ainda, que obra do poeta Jorge Carlos Fonseca contém uma gramática “arrojada”, bem expositiva do surreal e de uma didática diferente de distanciamento do padrão temático, estético e estilísticos cabo-verdianos.

Por isso, classificou, Jorge Carlos Fonseca é um poeta “dialético e existencial” e por consequência aberto “às infinitas possibilidades e às liberdades de configurar o seu lugar e o seu tempo”.

Por seu turno, José Carlos Fonseca disse que se trata de um “livro literário” , onde o agente é o poeta, é o escritor e o Presidente da República, uma vez que, conforme explicou, o exercício da atividade presidencial sempre dá inputs materiais, ingredientes e pretextos para a criação literária.

“Também o ser poeta por influência do exercício da presidencial, nomeadamente, pelo arrojamento do discurso político e do estadista, mas um Presidente da República não escreveria este livro, é o cidadão que o escreve”, acrescentou.

Adiantou que este livro pode demonstrar o percurso da sua escrita porque contém uma parte de inéditos em poesia e prosa poética e uma segunda parte de textos críticos de Arménio Vieira, João Vario, Filinto Elísio e outros.

“Pode-se ver aí um percurso e é um livro que do ponto de vista das opções estéticas faz uma rutura com poesia que se praticou em Cabo Verde nos anos dos Claridosos. Também uma escrita que utiliza muita técnica e instrumentos do surrealismo”, notou o poeta Jorge Carlos Fonseca.

O livro, que já tinha sido lançado em Lisboa, no âmbito do Festival Correntes d’Escrita, apresenta uma seleção de textos poéticos, alguns inéditos e outros já incluídos em livros anteriores do Presidente, escolhidos pelo poeta e prémio Camões 2009, Arménio Vieira.

“A sedutora tinta de minhas noutes” divide-se em prosas poéticas inéditas sob o título “Absoluto Capricho de Tarde”, uma antologia da sua poesia publicada nos três livros anteriores e “textos de fortuna crítica” , de personalidades literárias sobre o conjunto da sua produção poética já publicada.

A obra inclui também “textos de fortuna crítica sobre o conjunto da sua obra poética” por parte de ensaístas e escritores.
Publicada pela Editora Rosa de Porcelana, dos escritores Filinto Elísio e Marta Souto, a seleção dos escritos desta obra esteve a cargo do poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, que também fez o “prefácio”.

“A sedutora tinta de minhas noutes” é a quarta obra literária de Jorge Carlos Fonseca, depois do “O silêncio acusado de alta traição e de incitamento ao mau hálito geral” (Spleen Editores, 1995), “Porcos em delírio” (Artiletra, 1998), “O albergue espanhol” (Rosa de Porcelana Editora, 2017), num conjunto de 19 livros publicados, na maioria, versados em Direito Penal, Processual Penal e Constitucional.

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