Em jeito de balanço, Abraão Vicente, que falava para a imprensa, no Centro Cultural do Mindelo, considerou esse aspecto como um dos “menos bom”, desse festival, que teve “algum sucesso”.

“As nossas expectativas eram que as escolas e as universidades se mobilizassem mais para tirar proveito de escritores de grande pujança internacional”, ressalvou o governante, que estranha não ter acontecido o mesmo que na edição do ano passado na cidade da Praia.

Questionado se alguma coisa falhou, o ministro respondeu que não, uma vez que uma equipa veio à São Vicente, meses antes, para se reunir com as universidades e explicar a “importância” dos alunos serem dispensados das aulas para essa atividade extra-curricular.

“Eu creio que os custos do festival justificam essa adaptação nos currículos escolares e Mindelo é a segunda cidade universitária. Fizemos o mesmo na cidade da Praia e houve adesão com as salas praticamente cheias”, ajuntou.

“É uma pena com que saio deste festival”, lamentou-se Abraão Vicente, que mesmo assim ressalvou o “núcleo duro”, que participou de todas as salas de debate, com a presença “quase que diária” do Germano Almeida, Prémio Camões, e de muitos autores cabo-verdianos.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, é de destacar o facto de escritores internacionais, como o Lázaro Ramos e Miguel Sousa Tavares, que, assegurou, saírem “apaixonados” pela cidade, pela comida e pelo convívio no Mindelo, que poderá ser “inspirador para novas histórias e novos romances”.

“Mas, gostaria de ter um encontro com os escritores cabo-verdianos para perceber como podemos desenhar uma terceira edição, que fosse voltada para os escritores cabo-verdianos e podermos, de facto, tirar mais partido desse festival”, adiantou.

Entretanto, em resposta ao desafio lançado por alguns escritores de na próxima edição se homenagear António Aurélio Gonçalves, Abraão Vicente explicou que como esta terá como palco a ilha do Fogo, a programação vai se centrar à volta Ana Procópio, Henrique Teixeira de Sousa e Pedro Cardoso, com as mesas de debate com títulos à volta das obras destes, que tem “mais a ver com Fogo”.

Apontando uma das “coisas boas” desta segunda edição da Morabeza, o ministro da Cultura ressalvou o  “estrondoso sucesso” que foi a feira o livro, em que se vendeu quantidades de livros “quase ao nível” da capital, tanto da parte da Biblioteca nacional, como dos autores internacionais, que se fizeram representar pela Booktailors.

Esta venda, conforme a curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes, “superou as expectativas” com mais de 60 por cento (%)  dos cerca de cinco mil exemplares vendidos, que se traduzem em mais de um 1,5 milhões de escudos, com uma média de 170/200 livros vendidos diariamente.

O festival do livro, que decorreu desde dia 19 até hoje, tem um orçamento, segundo Abraão Vicente, de quase os mesmos momentos do primeiro, que ronda os 9.500 /10.000 contos.

Além da feira do livro, o evento ficou marcado com mesas de debate de escritores, visitas destes às escolas, formações e lançamentos de obras.