Em conversa com a Inforpress, a fundadora da Academia Cabo-verdiana de Letras disse que esta nova obra é o terceiro volume de contos que dá à estampa, uma vez que lhe dá mais prazer escrever textos curtos, como crónicas e contos.

Este livro de 15 contos, apesar de esses derivarem dos sonhos que ela teve e transformou-os em ficção, segundo disse, foca em várias temáticas com componente cabo-verdiana, desde a delinquência juvenil, problemas da terceira idade, homofobia, entre outros.

Cada conto, afirmou, tem um sub-tema que é uma forma de alertar para algum problema social, por exemplo a delinquência, as drogas, o trabalho infantil e ainda tem um conto que liga uma ceita religiosa ao terrorismo.

Desses contos, Fátima Bettencourt destacou o primeiro que abre o livro, que retrata o problema da terceira idade, uma vez que, segundo disse, ficou “muito certinho dentro da sua ideia”.

O conto em apreço retrata a história de uma mulher que saiu de Cabo Verde muito jovem porque era infeliz aqui e ela atribui a sua desgraça à terra que, no seu entender, “era pobre e não tinha meios”.

“Ela vai para a migração achando que vai encontrar alguma felicidade lá fora, mas fica sempre com a ideia que a infelicidade dela derivava da terra. Então, ela volta aqui com o instinto de vingança, (…) e resolve destruir um prédio que era herança dos pais para não ter nenhuma ligação com a terra e com isso sente-se muito aliviada depois de fazer isso”, revelou.

Fátima Bettencourt, que já editou oito livros e com participação em mais 20 obras, disse à Inforpress de poderia já ter uma bibliografia “muito maior”, mas devido à falta de recursos até agora só deu à estampa essas obras.

“Há sonhos que a gente sonha acordado e que quer transformar em trabalho, mas às vezes fica difícil porque a parte editorial em Cabo Verde é um osso duro de roer. A gente não tem dinheiro para editar os livros e o mecenato às vezes não funciona” criticou.

Em gaveta, disse, tem a reedição do seu primeiro livro “Sonhar em Pó” que este ano assinala 25 anos da sua publicação. “Faz agora 25 anos que eu editei esse livro e acho que é um marco conseguir reeditá-lo nessas bodas de prata. Tenho todo esse trabalho no computador, falta apenas encontrar recursos para fazer isso”, informou.

Apesar de admitir que não gosta de escrever romance, anunciou que já tem na forja um outro livro intitulado “Saído das Águas”.

Sob a chancela da Rosa de Porcelana Editora, “Sonhos & Desvarios” será apresentado hoje no Auditório do BCA, em Chã de Areia – Cidade da Praia, por Antonieta Lopes e Princezito.

Ainda na ocasião decorre uma exposição dos desenhos do artista plástico Tchalê Figueira que ilustram a obra.