A escritora que foi convidada a fazer a abertura desse simpósio, que acontece de hoje até sexta-feira, 06, na Universidade de São Luís, em São Luís do Maranhão, disse em entrevista à Inforpress, antes de viajar, que esses simpósios internacionais apresentam temáticas de “extrema relevância” para sociedade e para a cultura africana e não só.

Neste simpósio, informou, vai debruçar-se sobre o que tem sido a escrita das mulheres cabo-verdianas ao longo dos tempos, dos vários períodos pelo que passou a escrita das mulheres e nesta luta em que estão hoje contra o “memoricídio e o esquecimento histórico que durante muito tempo se abateu sobre a escrita de mulheres”.

“Estamos muito a falar e a trazer ao de cima, não só o contributo que as mulheres deram no passado na construção do edifício literário cabo-verdiano, como também procurar dar visibilidade e notoriedade à escrita das mulheres contemporâneas que vemos cada vez mais o interesse, pelo que a mulher cabo-verdiana está a virar-se também para a literatura”, disse.

A escrita das mulheres é um tema que está muito no ar nos últimos anos, conforme referiu, pois, cada vez estão a descobrir novas “pérolas”.

Vera Duarte afirmou que quando se fala do empoderamento das mulheres, a literatura também é um campo onde é “muito importante” esse empoderamento.

Actualmente, defendeu, muitas mulheres sentem-se motivados a tirar da gaveta o que escrevem porque querem dar a conhecer às pessoas os seus sentimentos.

“Estamos a atravessar uma fase muito promissora porque de um período em que, praticamente, não se falava e em que, praticamente, elas eram invisíveis, em que ninguém citava o nome das mulheres, vimos que cada vez mais uma ou outra vem aparecendo e tem visibilidade no cenário nacional”, disse, assegurando que isso tem incentivado o aparecimento de novas mulheres na escrita em Cabo Verde.

O Brasil, disse, continua atento sobre a escrita que se faz em Cabo Verde e noutros países africanos, e cada vez mais aparecem estudiosos e professores brasileiros interessados na escrita cabo-verdiana.

“O Brasil tem demonstrado interesse muito grande para esse contacto com a escrita das mulheres, porque em certa medida eles também estão muito nesta fase, embora mais avançada do que nós, sem dúvida, de combater o memoricídio que se abateu sobre a escrita de mulheres”, frisou.

Este interesse, assegurou, surgiu por iniciativa da professora Simone Caputo Gomes que através de uma disciplina sobre o estudo da escrita cabo-verdiana, na Universidade de São Paulo, tem levado os alunos a elaborar trabalhos sobre a escrita dos autores cabo-verdianos.

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