A professora aposentada e escritora teceu estas considerações numa conversa tida, no Centro Cultural do Mindelo, com os alunos da Escola Jorge Barbosa e da Escola Industrial e Comercial do Mindelo (EICM) e que, como disse, a deixou “muito contente” pela motivação dos estudantes.

“O que é preciso é ter contactos com os alunos e aproximarmo-nos mais e falar com eles e elucida-los, dar voz aos alunos”, salientou Hermínia Curado, que durante a conversa abordou um pouco do seu trajeto como professora na Guiné-Bissau em que, em pleno cenário de guerra, nos anos 60, contava histórias aos seus alunos, e aos filhos, para os distrair.

Para a escritora, a nova geração não está a ler tanto devido a outros interesses como as redes sociais, mas, considerou, a família tem um papel “muito importante” no incentivo à leitura.

“Se eles nascerem, crescerem e encontrarem livros em casa eles vão ganhar o gosto pela leitura e pela escrita”, garantiu, atribuindo a mesma responsabilidade às escolas.

“É preciso que os professores incentivem os alunos na escola a ler e os levem às bibliotecas”, advogou Hermínia Curado, para quem “não há nada melhor”, que a leitura no papel e se poder ter esse contacto com o livro.

Esta visão, que não vai muito de encontro a experiência da aluna de “Jorge Barbosa” Leila Lamas, que partilhou o palco com Hermínia Curado, e que disse ler livro, mas em plataformas digitais.

Entretanto, sublinhou o facto de se poder aprender com “pessoas experientes”, que podem a “inspirar e incentivar” a escrever e perder a vergonha inicial.

Glatson Monteiro, estudante da EICM e outro ocupante da mesa, confirmou ler livros em papel de ficção científica nas horas de lazer e que, asseverou, podem mudar a forma de pensar de uma pessoa.

“Quanto mais uma pessoa lê, adquire mais conhecimento, torne-se mais culta e pode ter melhor léxico para expressar-se”, considerou.

Toda essa motivação pôde ser vista, segundo Hermínia Curado, nas histórias “muito bonitas, com alinhamento e muito imaginação”, que os dois grupos escreveram no final, a partir de uma única frase que ela deu e que vão ter continuidade nas escolas e colocadas nos jornais de parede.

Hermínia Curado tem quatro livros no mercado, dois destes no género infantojuvenil, sendo que a sua mais recente obra fala da vida e obra do padre Campos e ainda, conforme anunciou, tem outros dois na forja para serem lançados.

A conversa tida com os alunos enquadra-se na agenda do Morabeza-Festa do livro, que decorre no Mindelo, organizado pelo Ministério da Cultura e das Industrias Criativas, até este domingo, 28.

Relativamente a programação do dia de hoje prossegue com mesas de debate de escritores, realizadas à tarde, e, que reúnem António Correia e Silva e Juan Manuel Garcia Ramos no “Encontro Atlântico” e Carlos Araújo e Manuel Veiga no “É um tempo de vastas corrupções e de grandes crises”, conta-se ainda uma sessão de cinema.

LN/CP

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