Glória Sofia, que esteve recentemente em Cabo Verde a promover o seu trabalho, defendeu ainda que as escolas primárias e os liceus deveriam estimular mais os alunos para a leitura e a escrita da poesia.

A seguir, apelou aos poetas mais “consagrados” que abracem os jovens poetas, num círculo de humildade, porque só assim é que “o país será imbatível na literatura”.

No seu caso, Glória Sofia disse que escreve desde que se lembra como gente. “Não sei exactamente a idade com que comecei. Deve ser uns 6 ou 7 anos. Escrevia o que sentia, o que desejava. Por exemplo descrevia o vestido de flores com oceano no peito, com peixinhos a bailar, enfim, coisas do género de uma criança, genuína, inocente e cheia de sonhos, que sentia uma necessidade de expor sentimentos do peito para um papel”, acrescentou.

Com um sentimento de orgulho, esta escritora relembrou que, quando andava na terceira classe, ganhou o primeiro lugar num concurso de literatura realizado na sua escola. Desde então não parou de escrever, tendo já publicado três obras, nomeadamente “Poesia das Lágrimas” (2013), Laços de Poesias (2014) e Abriel – Livro Infanto-Juvenil (2018 – Bilingue Inglês- Português), além da participação em várias Antologias.

“Como mãe a tempo inteiro tenho vários escritos de todas as emoções da maternidade. Logo tenho vários livros na gaveta”, informou Glória Sofia, quem pretende continuar a ser “uma jovem de vários objectivos”, a começar pela concretização de um projecto com jovens poetas cabo-verdianos e de países lusófonos, passando pela publicação de um bilingue e convidar todas as mulheres do mundo a escreverem uma carta: “A Carta que nunca recebi”.

Esta cabo-verdiana residente na Holanda, afirmou ainda que é a sua vida que a inspira a escrever. “Escrevo principalmente sobre amar. As minhas obras não seguem rigorosamente nenhum estilo, é como as nossas vidas que, por vezes, decorrem sem termos controlo. Escrevo o que me vai na alma e não espero nada mais”, adicionou a escritora que pretende continuar a “deixa Cabo Verde” por todos os países por onde passa.

Questionada sobre onde é que o seu trabalho é mais conhecido, Glória Sofia respondeu não saber, mas completou que os seus livros esgotaram sempre em todos os países onde apresentou. Entretanto manifestou o desejo de ver o povo da sua terra a conhecer mais as suas obras. “Algumas pessoas sentirão familiarizadas com a minha realidade”, pontuou esta fonte, dando conta que tenta sempre escrever numa linguagem “simples”, capaz de ser entendida por todos.

Aos mais jovens, Glória Sofia pediu para que nunca se sujeitem a viver sem os sonhos, porque “a vida sem sonhos é morte de pé”. “Na minha infância tinha o meu próprio mundo e hoje o próprio mundo quer ouvir a minha infância”, acrescentou.

Glória Sofia Varela Monteiro, “desde sempre marcada pelas emoções”, nasceu a 14 de Fevereiro, dia dedicado ao amor e aos enamorados, no ano de 1985, na cidade da Praia em Cabo Verde.

Originária de uma “família humilde”, o trilho da sua existência levou-a, depois de terminar o liceu, a rumar para o arquipélago dos Açores, onde se licenciou em Engenharia e Gestão do Ambiente.

Desenvolve várias actividades nas áreas culturais, frequentando várias tertúlias poéticas colaborando em inúmeros sites e revistas. Participou em Festival Internacional de Poesia em (Curtea de Arges) Roménia (2016), (Istambul) Turquia (2017), Ditet & NaimitMacedônia/Albania (2018).

Escreveu o prefácio do livro “Florescer” da escritora Teresa Ruas. Foi nomeada para candidatar o Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative. Possui ainda “diversos poemas” musicados pelo cantor Américo Brito e pelo grupo batuque Lantuna. Tem poesias traduzidas em mais de dez línguas.

Reside actualmente na Holanda, onde, além de escrever poesias e contos, vive o “amor-perfeito” pelos seus filhos.