Aquele literato, que falava à Inforpress, à margem do lançamento da obra “Ku Ki Vos/Com Que Voz”, uma tradução de sonetos de Luís de Camões, afirmou que é “difícil” ter uma grande poesia na linguagem cabo-verdiana sem recorrer a modelos ou tradições de literaturas em outros idiomas.

“Não temos uma grande poesia na forma erudita na linguagem cabo-verdiana, não por pobreza da língua, mas porque para se atingir uma certa maturidade literária é preciso uma longa tradição de escrita, que ainda o nosso crioulo não tem”, explicou.

Conforme observou, para alcançar esta etapa é necessário um esforço e colaboração de todos.

Para isso, avançou, o primeiro passo é fazer as pessoas adquirirem competências formais da sua língua materna.

“Para aprender qualquer linguagem é necessário compreender todo o seu rudimento nas escolas”, afiançou, defendendo o ensino formal do crioulo cabo-verdiano.

No que se refere ao livro lançado hoje, José Luiz Tavares explicou que a obra é constituída por 65 sonetos de Camões, resultando em um trabalho final de 165, devido à “diversidade da linguagem cabo-verdiana, que o levou a criar mais de uma versão de alguns sonetos.

Trata-se de uma obra iniciada em 2004, mas que só foi lançada em 2019, 15 anos depois.

Natural de Tarrafal de Santiago e formado em Literatura e Filosofia, José Luiz Tavares, que vive há cerca de 30 anos em Portugal, já escreveu 13 livros de poesia.

O escritor é detentor de vários prémios e distinções literários.

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