Abraão Vicente falava durante a apresentação do programa de fomento à produção audiovisual e cinematográfica (edital de cinema) da Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV), que decorreu na cidade da Praia.

O ministro recordou que o Governo lançou oficialmente a imagem da “Agenda 2024”, a qual visa marcar o início das comemorações do centenário de nascimento de Amílcar Cabral, que se assinala hoje.

Trata-se de um conceito que “visa lançar um desafio a todas as instituições da República, às universidades, às escolas e à própria sociedade civil em geral para que se crie uma agenda de reflexão, de atividades e de ação visando a celebração em 2024 do centenário do nascimento de Amílcar Cabral”, segundo nota do Governo.

Segundo o ministro Abraão Vicente, apesar de ter sido dada a conhecer há um dia, já várias personalidades manifestaram a intenção de contribuir para esta agenda.

Por se encontrar numa cerimónia relacionada com o audiovisual e o cinema, o ministro aproveitou e desafiou o setor a contribuir com uma produção específica para a efeméride, que o Governo gostaria que tivesse uma dimensão à altura do que aconteceu no centenário do nascimento de Nelson Mandela.

Faltam, portanto, seis anos para o país, e quem sabe a diáspora, se preparar para celebrar o nascimento de Amílcar Cabral.

“Cabral vai ser um pretexto para uma reflexão crítica sobre o estado de Cabo Verde, 100 anos após o seu nascimento”, disse.

Abraão Vicente falava no Palácio da Cultura Ildo Lobo, onde ao final da tarde ocorrerá um concerto organizado pela Fundação Amílcar Cabral e a Fundação Lelio e Lisli Basso.

Do cartaz do concerto “Cantar Cabral e a resistência” fazem parte nomes como Mário Lúcio, Teresinha Araújo, Ana Lisboa, Sory Araújo, Body, Vera Cruz, Alberto koenig, Fattú Djakité, Eric Tavares, Mano Preto, Totinho, Binga e Nhelas.

Quinta-feira, a Fundação Amílcar Cabral, na cidade da Praia, acolhe uma roda de conversa sobre “A atualidade do pensamento de Amílcar Cabral face ao imperativo da unidade africana”.

Amílcar Lopes Cabral nasceu a 12 de setembro de 1924 em Bafatá, atual Guiné-Bissau, filho de pais cabo-verdianos.

Fundou o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAICV), lançando as bases do movimento que levaria à independência das duas antigas colónias portuguesas.

Foi assassinado a 20 de janeiro de 1973, em Conacri, em circunstâncias ainda hoje não totalmente claras, antes de ver os dois países tornarem-se independentes.