Em entrevista à Inforpress, este artista contou que começou com a carpintaria como base, depois passou pela marcenaria e hoje considera-se um artesão.

Segundo o mesmo, o talento é um “dom divino”, mas que é necessário o homem desempenhá-lo ou desenvolvê-lo.

Questionado sobre os tipos de trabalhos ou imagem que procura esculpir, ele explicou que tudo tem a ver com o acontecimento do momento.

Ou seja, exemplificou que tem esculturas da campanha “Menos Álcool Mais Vida”, dos Tubarões Azuis, da Morna, do ambiente e entre outros.

Além dos momentos, disse que procura enquadrar tudo numa mão ou ter sempre uma águia que são as duas coisas que mais gosta de esculpir.

A mão, por acreditar que tudo depende da mão, desde os trabalhos mais pesados a uma simples assinatura de um documento para uma tomada de decisão e fazendo uma analogia com a história bíblica, disse que mesmo Deus para criar o seu humano teve que tocar no barro.

Já a águia, é devido à ligação da emigração que a ilha possui com os Estados Unidos da América, até porque, contou que os seus trabalhos têm sido solicitados pelos emigrantes, que muitas vezes lhe pedem para esculpir em suas casas na Brava a imagem da águia carregando a bandeira dos EUA e também por ser adepto do Benfica.

Sobre esta paixão pela arte, disse que tudo se iniciou por acaso, no ano 2000, em que foi transferido para o hospital da cidade da Praia, 10 anos após a sua vinda da ilha natal, porque, conforme avançou, é natural de Santa Catarina, Assomada.

Esteve 23 dias no hospital e ao sair para apanhar hiace no Sucupira para ir até Assomada viu alguns trabalhos que lhe chamaram a atenção e ao chegar na Brava começou a dar os seus primeiros passos nesta área. Considera uma cama como sendo a sua “primeira obra de arte” e aos poucos foi-se “aperfeiçoando”.

Recordou que em 2004, a convite da Câmara Municipal da Brava foi participar numa feira na cidade da Praia onde contou que levou quadros “interessantes”. Um era relacionado com a ilha Brava, outro em homenagem a Eugénio Tavares e um outro ligado à emigração, onde a águia apanha a Bandeira dos Estados Unidos da América.

“Não esculpo nada por acaso. Em 2013, a selecção cabo-verdiana, intitulada Tubarões Azuis, apurou-se para participar no CAN e de imediato fiz uma escultura do acontecimento, neste momento tenho trabalhos relacionados com o meio ambiente, a morna, o alcoolismo”, contou Zé de Dininha.

Sobre os destinos das suas obras, adiantou que são sempre de acordo com a área que estão relacionadas. Por exemplo, a escultura sobre os Tubarões Azuis é direccionada ao Ministério do Desporto, a sobre o alcoolismo é para a Presidência da República e a da morna será para o Ministério da Cultura, entre outros.

As maiores dificuldades apontadas por este artista versam a questão dos materiais, que, conforme disse, na ilha não há quase nada e o que é importado pelos revendedores, muitas vezes, não possui a “melhor qualidade”.

Quanto à valorização do seu trabalho, acentuou que “falta uma cultura grande” em termos de valorização e que não é de um dia para o outro que vai ser possível, mas sempre corre atrás e insiste naquilo que faz e quer fazer, independentemente do reconhecimento.

Aos jovens pede que ao passarem pelo seu espaço não aprendam somente a carpintaria, mas também um pouco da arte, como uma forma de transmitir o conhecimento de geração em geração, mas também, diz reconhecer que a “falta de incentivo” por parte das entidades “dificulta” o desempenho dos mesmos.

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