A escritora que está no Nordeste deste país desde o dia 16, a convite das autoridades brasileiras, participa até o dia 02 de Setembro em diversas actividades literárias, desde roda de conversa, encontro de mulheres escritoras em Sergipe, na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará sob a temática “As Cidades e os Livros”.

Hoje, a convite do grupo de estudo das literaturas africanas presidida pela professora Andréa Muraro, Vera Duarte vai falar do esforço que as mulheres cabo-verdianas estão a fazer para “poderem inscrever o nome de mulheres no edifício literário cabo-verdiano”.

“Apesar de haver ainda muita invisibilidade à volta da sua escrita, a verdade é que elas estão cada vez ganhando maior visibilidade, não só pelos temas que abordam, não só pela qualidade da escrita que produzem, como também por estarem nesta luta comum a todos os aspectos da vida, que é combater o memoricídio que sempre acompanhou as actividades das mulheres”, afirmou em declarações à Inforpress, via Messenger.

Para a escritora, em Cabo Verde, cada vez mais é possível encontrar escrita de autoria feminina.

Segundo referiu, para além da antiga geração, em que fazem parte ela, Fátima Bettencourt, Dina Salústio, Carlota de Barros e tantas outras, novas gerações como Eurídice Monteiro, Ayline Barbosa, Natacha Magalhães, Carmelinda do Rosário, entre outras, estão a edificar-se no mercado literário.

Ainda, ajuntou, há uma nova geração que está a “despontar no horizonte”, isto é, jovens de 20 anos, mulheres que nunca escreveram ou publicaram um livro, mas que estão tendo a oportunidade de se estrearem na escrita ao participarem numa antologia de Lena Marçal e Yara dos Santos, intitulado “Mulheres e os seus Destinos”.

“Portanto, eu acho que vamos ter uma literatura cada vez com mais mulheres”, enfatizou.

No entender da autora de a “Matriarca”, existe, sim, uma diferença na escrita entre homens e mulheres, primeiro pela escolha das personagens.

Conforme explicou, a escrita de autores masculinos tem privilegiado os protagonistas homens ou um protagonista homem à volta do qual circulam as mulheres, enquanto as mulheres têm procurado dar ênfase às protagonistas femininas.

“Eu, por exemplo, toda a minha escrita tem sido marcada pelo protagonismo feminino, mas eu devo dizer que não é o protagonismo que eu procuro, é um protagonismo que vem assim quando eu escrevo, como há-de ver nos meus romances, nos meus contos e até na minha poesia, o protagonismo é a mulher”, salientou.

Instado sobre qual género literário que mais cativa uma mulher e um homem, Vera Duarte afirmou que não é fácil fazer essa distinção em género, mas na sua percepção, os homens estão mais virados para o romance, enquanto as mulheres para a poesia.

Vera Duarte disse à Inforpress que tem sido uma boa experiência essas actividades e que está a ter oportunidade de conhecer vários projectos, inclusive o projecto Circo Multicor, arte e educação por uma infância e adolescência sem racismo, liderado pela professora Lucelena Honorato.

Durante a sua estada no Brasil, a escritora participa de 30 de Agosto a 02 de Setembro na Bienal do Rio de Janeiro a convite da editora Nandyala, onde vão ser abordados temas como cidades, memórias, e livros.

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