Em declarações à Inforpress, Marly Mendes elucidou que o grupo surgiu por influência dos outros grupos, nomeadamente da ilha de Santiago, e por acreditarem que Maio é uma ilha rica a nível cultural, revelando que nesses oito anos de existência, não obstante os obstáculos, o balanço é positivo.

O nome do grupo, explicou, foi inspirado no facto de a localidade de Alcatraz ficar situado perto do pico mais elevado da ilha do Maio, Monte Penoso, referindo que o grupo, que agora já compõe as suas próprias músicas, aborda questões e problemas que afetam a sociedade cabo-verdiana.

“Quando criamos o nosso grupo queríamos dar o nosso contributo, dinamizar a cultura na nossa ilha, enfrentamos vários desafios, tivemos elementos que acabaram por abandonar o grupo por causa do trabalho ou emigração e hoje estamos aqui unidas a lutar para a sua continuidade e que seja uma referência”, afirmou, destacando o vestuário e a introdução de instrumentos musicais nas atuações como marca do grupo.

Entretanto, considero que criar grupos de batucadeiras no Maio é um “grande desafio”, isto porque, sustentou, o batuque “não é ainda valorizado na ilha” e os grupos “não têm incentivos” para cumprir os seus programas.

Neste sentido, defendeu que é preciso dar “mais atenção” ao batuque e haver “mais políticas” de promoção e incentivo dos grupos locais, os quais, segundo disse, enfrentam constrangimentos financeiros, principalmente quando são convidados a participarem em actividades fora da ilha ou do país.

“O batuque infelizmente não é muito ligado aqui no Maio, não temos apoios, a Câmara Municipal do Maio já nos apoiou convidando a participar em eventos municipais, mas isso não tem sido suficiente, queremos mais atenção e oportunidades para elevar a nossa ilha mostrar a nossa riqueza”, declarou, informando que o grupo almeja futuramente gravar o seu primeiro CD.

Nesses oito anos de existência, apontou o intercâmbio internacional com os grupos de batucadeiras do Senegal, numa viagem que os elementos do “Raiz di Monte Penoso” efetuaram recentemente àquele país e que classifica de “momento mais alto do grupo”.

Destacou, por outro lado, o “bom nível” de relacionamento com os outros grupos de batucadeiras da ilha do Maio e o “forte apoio” que recebem por parte da população, mostrando-se convicta de que, se houver mais ações de incentivos, o batuque alcançará “um nível melhor”.

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