A participação do GTCCPM surgiu a partir de um convite directo do próprio encenador do projecto, o brasileiro Rodolfo Garcia Marquez, que assistiu a alguns espectáculos do grupo apresentados em Cabo Verde e também em São Paulo, Brasil, conforme avançou o director João Branco à Inforpress.

Desta forma, segundo a mesma fonte, o grupo terá a oportunidade de participar nesta produção internacional de teatro digital desenvolvida especificamente para a plataforma Zoom – com compra de bilhetes online – e denominada “A Arte de encarar o medo”, cuja estreia está marcada para esta sexta-feira, 31.

O projecto tem um elenco internacional com artistas de três diferentes continentes: Europa (Alemanha, Inglaterra e Suécia), África (Cabo Verde, Nigéria, Senegal, África do Sul e Zimbabwe) e América do Sul (Brasil).

O texto, de acordo com a sinopse, fala de um “mundo distópico depois de 5.555 dias de quarentena devido à crise da pandemia. Em um mundo isolado, muitas coisas não estão disponíveis para as pessoas. Apesar do controlo absoluto do Governo sob a comunicação digital, as pessoas ainda têm a chance de manter contacto via internet”.

“Fala de um mundo confinado e mega controlado por causa de uma pandemia. Não é muito diferente do que vivemos, mas leva para um extremo, para se entender que apesar da dureza da situação, ainda há humanismo e amor que nos pode salvar”, sustentou João Branco à Inforpress; e para quem a existência das redes e da Internet “acabou por facilitar a comunicação e combater o isolamento extremo”.

O actor e dramaturgo assegurou estar a ser uma “experiência radical”, para o grupo que terá a participação de dois actores e ainda da pequena Isabel, sua filha.

“Tive a oportunidade de assistir à versão brasileira deste espectáculo e é uma experiência que não se esquece, marcante. Agora, vai ser interessante experimentar estar `deste outro lado´ “, considerou João Branco, acrescentando que contracenam usando somente o inglês.

“A Arte de encarar o medo”, que conta com a produção da companhia brasileira Satyros teve uma primeira edição, com estreia no dia 13 de Junho no Brasil e com ensaios, que ocorreram “exclusivamente online” e com os actores separados por todo o Brasil e exterior.

Na versão africana/europeia a peça vai juntar artistas, de nove países diferentes e de três continentes, que na maioria nunca se encontraram fisicamente e participaram de ensaios online para desenvolver a peça.

“A ideia é estabelecer pontos em comum entre as realidades nacionais durante a pandemia. Quais são os medos que tomaram conta da humanidade globalmente durante esse período? Quais são os efeitos da intolerância social e da política extremista no mundo de hoje”, questiona a produção.

Após a exibição da peça haverá ainda um momento de partilha com os espectadores que podem conversar livremente com os artistas e uns com os outros sobre o espectáculo e os efeitos da pandemia nos seus países.

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