Em nota de imprensa enviada à Inforpress, a administração da Assembleia Nacional justificou que a retirada das duas obras do artista plástico da exposição, alusivas às comemorações de 13 de janeiro, “não constitui de maneira alguma, uma forma manifesta ou subtil de censura cultural, definição de gosto pessoal ou estética artística preferencial, cuja liberdade de expressão artística e cultural é constitucional e legalmente asseguradas e reafirmadas pela ANCV.”

Entretanto, justificou que retirou as obras para evitar que pudessem “ferir a sensibilidade” de alunos adolescentes que iam visitar o espaço.

“Considerando que o evento do Dia da Liberdade e da Democracia previa o acolhimento de 12 Escolas Secundárias da Praia, constituídas na sua maioria por crianças e adolescentes, a administração da ANCV entendeu que o conteúdo dos dois quadros continha elementos sensíveis que, eventualmente pudessem ferir a sensibilidade e a capacidade de interpretação das crianças e dos adolescentes”, lê-se no documento.

Entretanto, a administração da AN diz lamentar não ter tido tempo necessário para apreciar, previamente, o conteúdo das obras e as eventuais sugestões que dai pudessem advir, tendo essa tarefa sido atribuída à Direção-Geral das Artes e Indústrias Criativas do Ministério da Cultura, parceira nesse evento.

Da mesma forma, diz lamentar os eventuais transtornos que isso possa ter causado ao autor, a quem tem “grande apreço e consideração.”

A administração da ANCV reafirma ainda a sua disponibilidade de colaboração com os artistas, individual e coletivamente e com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) na realização de eventos culturais que “contribuam para a promoção das políticas públicas nos domínios culturais.”

Garantiu também que a AN “é e continuará a ser um espaço de manifestação de diferença e de diversidade de expressão e manifestação cultural e que este princípio será garantido a todos os artistas, sem exceção.”