O projeto Xalabas é promovido pela na Associação Pelourinho em Achada Grande Frente, onde jovens ativistas têm estado a trabalhar desde 2010, utilizando metodologias de apropriação e transformação urbana e de ação social através da arte, promover a inclusão Social, combater o aumento da violência juvenil e o abandono escolar.

Em declarações à Inforpress, Ananda Nahú disse que pretende com as 10 telas, que vão estar patentes até 05 de novembro, demonstrar Cabo Verde com um olhar brasileiro, uma vez que estes dois países estão ligados pela cultura e história.

“Através do olhar de um forasteiro, como seria os cabo-verdianos. Quando era criança se dizia muito que a África está do outro lado do mar, então a proposta da exposição é se realmente fossemos para o outro lado do mar o que encontrar”, explicou a artista natural do Estado de Bahia.

Sobre o facto de a exposição retratar mais o rosto das mulheres disse que se deve à uma necessidade feminina de enaltecer e “empoderar” as mulheres para que elas se verem de uma forma mais forte e glorificada.

“Assim como no Brasil, na África as mulheres são muito oprimidas, então tenho a obrigação de fazer para que elas possam ser ver mais fortes”, justificou.

Ananda Nahú adiantou que este convite partiu do projeto Xalabas para fazer, não só uma exposição, como também desenvolver um plano de arte urbana no bairro de Achada Grande Frente, para a revitalização com arte de alguns espaços mal aproveitados.

Acrescentou que para além da arte urbana esta exposição é acompanha de um workshop, onde vai se ensinar a arte nas comunidades, através do processo de concessão de um mural para que possa traduzir a sua cultura.

Ainda no âmbito dessas atividades de promoção da arte urbana está programada para quarta-feira, 03, uma “conversa aberta” intitulada “Arte pública e transformação urbana: um debate”, com a participação de Ananda Nahú (artista visual), Lorenzo Bordonaro (curador do programa de arte urbana XALABAS), Redy Lima (sociólogo, projeto XALABAS) e Ivan Santos, da Câmara Municipal da Praia.

O programa de arte urbana contempla oito workshops e um festival de arte urbana, durante três anos do projeto, que está orçado em orçado em 549.873 euros, sendo cofinanciado pela União Europeia e pela Africa 70 (10%), terá uma duração de 36 meses, com conclusão prevista para setembro de 2020.

Ananda Nahu é uma artista visual brasileira, graduada em Design Gráfico e Artes Plásticas pela escola de Belas Artes / UFBA.

Com mais de 14 anos de carreira, seu estilo se diferencia pela mistura de aspetos, cores, técnicas de pinturas e diversidade no uso de materiais, sendo este último uma característica marcante em seu trabalho.

O processo de criação e execução das pinturas de Ananda Nahu une a manipulação digital, seguida da criação física e manual das obras, unindo a modernidade com o processo feito à mão.

Produziu centenas de telas de pinturas, além de ser muralista, tendo participado em diversos projetos de Arte nos Estados Unidos e Europa, fez também campanhas publicitárias para multinacionais como Nike, Gucci e Bloomberg.

Em 2015 foi selecionada pela CNN style e pela Phaidon como uma das artistas mais influentes do Brasil.

Em 2016, Ananda Nahu pintou o maior mural do estado de Ohio, financiado pela Cleveland Foundation.

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