Há cerca de quatro  anos, porque já não conseguia pagar renda de uma casa, decidiu construir uma barraca na localidade de Cobom di Fomi (Covão da Fome), em Achada de São Filipe,  para acolher a mulher e seus  três filhos menores.

No espaço contíguo à sua residência construiu o que designa de oficina e, segundo contou, é desta “pequena oficina” que sai o sustento da família e ainda o dinheiro para pagar a educação dos filhos.

Regozija-se pelo facto de a sua companheira  Sandra Rocha ter sido o seu braço direito.

“É ela que leva os produtos para o mercado e ajuda-me ainda no transporte dos troncos das árvores que depois são transformados em objetos de artesanato”, congratula-se Iduino Carvalho, ao mesmo tempo que se mostra “apreensivo” porque a sua atividade, prosseguiu,   que lhe permite ganhar o pão,  “está ameaçada”.

“Há tempos vieram aqui pessoas da Câmara Municipal da Praia a avisar-nos que temos de deixar o local, mas nós não temos alternativa”, queixou-se Iduino Carvalho, acrescentando que um outro espaço para eles é “um pouco complicado” porque podem ficar sem a possibilidade de criar os seus animais que, segundo ele, também constituem parte do sustento para a família.

Diz que trabalham com máquinas que fazem muito barulho, pelo que a sua atividade se torna impossível em apartamentos, por exemplo,  do Programa Casa para Todos, isto se as autoridades da Câmara Municipal da Praia decidirem alojá-los ali.

Além da madeira, trabalham também para o fabrico dos tradicionais moinhos para a trituração do milho.

“Viemos ocupar  este espaço porque, por um lado,  não estávamos a conseguir pagar renda, e, por outro, porque não encontrámos outro terreno”, precisa Iduíno.

Na sua pequena oficina já chegou a garantir emprego a seis pessoas chefes de família, mas atualmente só trabalham duas, porque a máquina já “não consegue corresponder” às necessidades.

Os seus trabalhos são colocados no “Sucupira” (feira livre) e também em alguns hotéis do país, nomeadamente na ilha do Sal.

“Os pilões têm muita saída no Sal, mas temos tido alguns problemas em abastecer aquele mercado, porque a nossa máquina de torno  já não tem capacidade”, lamenta o artesão.

O seu sonho, diz, é dispor de um espaço onde possa acolher pessoas interessadas naquela arte.

“Muita gente   têm manifestado interesse em aprender connosco, mas não temos condições para as receber aqui ”, afirma Iduino Carvalho, que apela às autoridades, nomeadamente ao ministro da Cultura, no sentido de lhes ajudar.

LC/AA