Editado pela Editorial novembro, em formato impresso e áudio, a obra relata a história de uma pequena sereia que tem que encontrar um par de sapatos vermelhos para poder ir ao baile onde todos vão agradecer as chuvas que abundantemente caíram nas ilhas,  e tem sido referenciado como “um conto cheio de ritmo e musicalidade editado.

Este novo livro infantil da cantora e contadora de histórias cabo-verdiana residente nas terras lusas esta escritas nas línguas portuguesa, crioula e no sistema Braille, sendo que este lançamento contou com a iniciativa do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, numa parceria com o Grupo de Comunicação novembro e a Embaixada de Cabo Verde em Portugal,

Ao apresentar o livro, o sociólogo e investigador musical César Monteiro enalteceu “o ineditismo desta obra inclusiva” nas três versões, em Cabo Verde, afirmando que foi uma vontade expressa da Celina Pereira para chegar a um público “mais heterogéneo”, e que se trata de um trabalho que ultrapassa “de longe” um simples livro audiovisual.

Definiu Celina Pereira como uma preservadora das tradições orais e da música tradicional cabo-verdiana, uma escritora multifacetada que tem dado a cultura cabo-verdiana um “legado valiosíssimo”.

Mostrou-se satisfeito pelo facto de a sociedade cabo-verdiana começar a “tomar consciência do enorme papel” de Celina Pereira, no domínio particularmente da preservação das tradições orais através dos contos e da música tradicional cabo-verdiana.

A representante das Edições novembro, Avelina Ferraz, disse que este livro vai ao encontro a esta homenagem, que se pretende prestar a Celina Pereira em vida, por ser uma obra “cheio de afeto”, cujo projeto foi iniciado há três anos, como o concretizar de um sonho da autora que neste momento se encontra doente.

“Celina Pereira é a maior representante da cultura de Cabo Verde em Portugal”, afirmou Ferraz, para quem “faz todo o sentido” o arquipélago trazer este livro para a sua apresentação no país, quando se sabe que “A Sereia Mánina e seus sapatos vermelhos – Serêa Mánina e sís sapóte burmêdje [vermêlhe]” foi apresentado em agosto último em Portugal.

O auditório esteve composto com uma plateia marcada pela presença de muitos invisuais e surdos-mudos que se congratularam com este áudio-livro com tradução do português para crioulo cabo-verdiano e transcrito para o Braille.