Frank Abranham, da Alemanha, Constanza Lovitz, dos Estados Unidos, e Elena Beltrami, do Reino Unido, manifestaram esta ideia durante a conferência sobre “Artistas emergentes: quais são suas oportunidades de turnê na Europa e na América”, que aconteceu hoje, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia, no segundo dia do Atlantic Music Expo (AME).

Tendo em conta que no início de carreira os artistas emergentes, frequentemente, enfrentam obstáculos quando se trata de começar a fazer turnê internacional, esses produtores afirmam que há algumas oportunidades em alguns países da Europa, entretanto, no mercado das Américas e do Reino Unido é mais difícil de se penetrar.

Frank Abranham, da produtora F-Cart da Alemanha, que já trabalhou com as cantoras cabo-verdianas Cesária Évora e Lura e, neste momento, está a trabalhar com a Lucibela, disse que, a Europa é um mercado “aberto e fácil”, pois, é um mercado com diferentes línguas e culturas, diferente dos EUA que é um “grande mercado” e com uma língua única.

A mesma fonte, sugeriu aos artistas emergentes cabo-verdianos a iniciarem por países onde existem muitos cabo-verdianos e terem sempre em conta a língua.

“É melhor começarem dentro das vossas comunidades, porque é mais fácil conectar-se e ali poderão ter ligações ou conexões para além das vossas comunidades e depois podem começar a contactar esses lugares de show como o Reino Unido” disse, aconselhando-os a irem para Portugal e caso falam francês ou inglês a seguirem-se para Paris (França).

Frank Abranham recomendou ainda aos músicos a pensarem bem se vale a pena fazer uma tournée, tendo em conta a sua situação financeira, porque as vezes o resultado da digressão poderá não compensar o custo da deslocação.

“O artista tem que estar pronto para investir na sua carreira. É melhor talvez se focarem num país em vez de tentar diversificar para vários países”, sugeriu.

Na mesma linha, a produtora e ex-agente de “book”, Constanza Lovitz, alertou os artistas a pensarem duas vezes antes de fazerem uma digressão e levarem sempre em conta o financiamento e o retorno financeiro.

“É muito importante começar pequeno e depois expandir. Se não conseguirem fazer uma tournée que paga as despesas, às vezes, é melhor ficar em casa até conseguirem criar um nome, a não ser que tenham dinheiro. O meio social é importante para desenvolver o nome”, defendeu.

Conforme disse, o mercado dos Estados Unidos é um pouco “mais desafiador” do que da Europa porque nos EUA existem poucos festivais e estes, normalmente, realizam-se no verão e na primavera.

Por sua vez, a produtora de música da AGMP do Reino Unido, Elena Beltrami, disse que tem recebido muitos e-mails dos artistas emergentes e que as vezes trabalha o ‘book’ destes.

Entretanto, justificou, antes de iniciar o trabalho com esses artistas, analisa se estes têm um álbum lançado, se têm seguidores no seu país de origem e se o seu produto irá apelar a audiência no Reino Unido.

Ainda, indicou, sempre faz proposta aos artistas no sentido de custearem uma parte da sua tournée, isto porque,” investir numa digressão é investir na sua carreira”.

Aos artistas emergentes, esta ex-agente de ‘book’ aconselhou-os a apresentarem sempre um bom trabalho, ter algo consistente que ajuda os agentes a promoverem e a divulgarem os seus trabalhos no mercado no Reino Unido, e serem sempre “persistentes e nunca irritantes”.