Segundo o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, a iniciativa visa celebrar a morna, bem como aos seus compositores, intérpretes e músicos, nas “vésperas da consagração da Morna a Património Cultural e Imaterial da Humanidade”, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A ‘flash mob’ acontecerá na Praça do Memorial Amílcar Cabral, no centro da Praia, pelas 10:00 locais (mais uma em Lisboa), e envolverá, além da Banda Militar, alunos de escolas do ensino primário e secundário, que vão dar corpo a mornas históricas, como “Lua nha testemunha”, “Nôs morna”, “Partida” ou “Sodade”.

Participam alunos da Escola Portuguesa da Praia, além do Agrupamento 2, com as escolas da Terra Branca, Bela Vista e Tira Chapéu, ainda da Escola Básica Lavadoura, do Complexo Educativo Graça da Criança e da Associação Escola Maior.

Desde 2018 que a Morna passou a ter um dia nacional, 03 de dezembro - dia de nascimento do compositor mindelense Francisco Xavier da Cruz ou B.Leza -, celebração que este ano acontece poucas semanas depois da aprovação, pelo comité técnico da UNESCO da candidatura cabo-verdiana a Património Cultural e Imaterial da Humanidade.

O ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, afirmou em 08 de novembro, em entrevista à Lusa, que “só se acontecer algo muito estranho aos procedimentos da UNESCO” é que a morna não será classificada como património da humanidade.

A posição foi assumida pelo governante depois de receber, no dia anterior, a informação da aprovação definitiva por parte dos técnicos, decisão que formalmente deverá ser adotada na próxima assembleia-geral, que decorrerá este mês na Colômbia.

“Só se acontecer algo muito estranho aos procedimentos da UNESCO é que uma decisão validada pelos peritos não será aprovada pela reunião geral que acontecerá em Bogotá”, afirmou Abraão Vicente.

Após a decisão técnica, o ministro garante ter “convicção total e absoluta” na decisão de classificação, que será adotada, segundo avançou, na votação prevista para 12 de dezembro.

“Levaremos [a Bogotá] a Nancy Vieira e o Manuel de Candinho, um multi-instrumentista e uma voz consolidada da morna. E é exatamente por termos a confiança que falta esse momento de charme que nós iremos com uma comitiva bastante sólida, com dois músicos, que possam fazer um presente de Cabo Verde aos que vão ratificar definitivamente esta decisão”, acrescentou.

Cabo Verde apresentou em março do ano passado a candidatura da morna a Património Cultural e Imaterial da Humanidade, cuja decisão pública deverá ser conhecida entre 09 e 14 de dezembro, em Bogotá, Colômbia, durante a reunião do Comité do Património Cultural e Imaterial da UNESCO.

Segundo Abraão Vicente, além da questão técnica da candidatura, aprovada em novembro, Cabo Verde também “fez o trabalho diplomático” junto dos países que vão estar presentes na reunião da próxima semana, para garantir a ratificação política da classificação pela UNESCO.

Reconhecendo o apoio técnico de Portugal a esta candidatura e apoio formal de Angola ou da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o ministro confessou “especial prazer” pela “alegria” que está a ser vivida em Cabo Verde, com a classificação a um “passo formal”.

O dossiê cabo-verdiano contou com colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

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