Em declarações à imprensa, o presidente da ACL, David Hopffer Almada, explicou que a homenagem é feita porque Gabriel Mariano era um “magistrado bom e experiente”, um homem de convívio fácil, uma figura da Academia e um dos que “melhor soube elevar o nome da literatura cabo-verdiana.

“Gabriel Mariano era um magistrado,  um poeta sofisticado e um bom escritor, que já era admirado na sua altura e, passado tanto tempo e por ocasião do seu aniversário, entendemos que a Academia devia registar e celebrar com esta iniciativa, para cumprir um dos seus objetivos estatutário, que é lembrar-se daquilo que nos precederam e fizeram a nossa história, particularmente no domínio literário”, disse.

David Hopffer Almada reiterou que a Academia Cabo-verdiana de Letras tem um projecto de vir a recuperar e resgatar as obras dos autores clássicos cabo-verdianos, sendo que Gabriel Mariano é um deles, mas que para tal é preciso de tempo, planificação, meios de suportes financeiros.

Para o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que proferiu uma conferência sobre o autor do poema “Capitão Ambrósio” que teve lugar no Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), sublinhou que Gabriel Mariano na sua intervenção ia fazer a evocação do cidadão, do poeta, do ensaísta e do homem do direito e da justiça.

“Gabriel Mariano foi um poeta sofisticado, comprometido com os problemas do país, com os grandes desígnios da humanidade, mas exigente na escrita, um libertário, uma pessoa pouca ortodoxa, que talvez não tenha tido, pela sua vida multifacetada, o tempo suficiente para exprimir a genialidade poética que as obras deles deixam a indiciar”, frisou.

Durante a cerimónia de homenagem ao autor de contos como “Vida e Obra de João Cabafume” e “O rapaz doente” e de ensaios como “Do Funco ao Sobrado” e “Mundo que o Mulato Criou”, teve momento de recital, como poema do homenageado e outros autores.

José Gabriel Lopes da Silva Mariano nasceu na Ribeira Brava, ilha de São Nicolau, a 18 de maio de 1928. Fez os estudos primários e liceais em São Vicente, e licenciatura em Direito, na Universidade Clássica de Lisboa.

Como magistrado judicial trabalhou em Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Portugal. Gabriel Mariano faleceu a 18 de Fevereiro de 2002, em Lisboa, aos 74 anos.

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