Em declarações à Inforpress, o governante disse que no próximo ano o sector ai contar com um orçamento a “valer,” mas que continua a ser um orçamento “bastante curto” para aquilo que são as necessidades do Ministério da Cultura.

Segundo Abraão Vicente, com um milhão de contos, o ministério que tutela consegue resolver os problemas da cultura em relação aos espaços culturais e da planificação cultural em Cabo Verde nos próximos 10 anos.

Neste momento, adiantou, o sector depara com problemas graves em edifícios históricos, na Cidade Velha, como a Sé catedral, o Convento São Francisco e a Igreja Nossa Senhora do Rosário.
Entretanto, informou que já estão a trabalhar para recuperar a Igreja e vão introduzir obras no Palácio da Cultura, no Centro Cultural do Mindelo e no Auditório Nacional.

Neste momento, afirmou, todos os municípios precisam de pequenos auditórios, mas sublinhou que em 2018 apenas vão poder financiar seis auditórios.

“Sem verbas, não é possível, por mais que queiramos. Eu não quero acreditar que a perspectiva do Governo seja apenas de tapar buracos na cultura. Nós não podemos continuar numa perspectiva de planificar a partir de um plafond que nos é dado através do Ministério das Finanças” lamentou.

Abraão Vicente informou ainda que há projectos estruturantes que devem ser implementados até 2021, nomeadamente a construção de monumentos públicos ligados a grandes figuras nacionais, como Bana, Cesária Évora, Codé di Dona, Nha Nacia Gomi, Ntoni Denti d’oro e os Caridosos.

“Há necessidade de o país ter uma memória e os monumentos públicos são um dos investimentos que são incontornáveis e estes só podem ser feitos em material monumental, neste caso o bronze e o mármore. Nós estamos a trabalhar para que nos próximos anos consigamos fazer esse conjunto de homenagens”, assegurou.

O titular da pasta da cultura disse ainda à Inforpress que o setor da cultura precisa de um investimentos “extraordinário”, a volta dos 200 mil contos, para requalificar toda à rede ligada aos museus em Cabo Verde.

Neste sentido, informou que em Janeiro de 2018 vão relançar o conceito museus de Cabo Verde, nos quais englobam pelo menos cinco dos museus “mais importantes” de Cabo Verde.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas afirmou que tem reparado que a cultura não é alvo de investimentos externos, ou seja, as cooperações internacionais não investem nessa área.

“As cooperações internacionais não têm uma cultura de cooperação cultural. E isto nos limita, porque nos põe na perspectiva de só podermos contar com as verbas do orçamento do Estado”, sublinhou.

Durante o ano que está praticamente no fim, Abraão Vicente fez saber que graças a uma “boa articulação” , conseguiram fazer parcerias com a Caixa Económica, Garantia, Banco Comercial do Atlântico, e o grupo Cabo Verde-Telecom.

Conforme disse, normalmente tem sido o Estado a financiar o orçamento das atividades culturais, mas neste momento são as instituições privadas que estão a faze-los em parcerias com o Ministério da Cultura.

Para Abraão Vicente, se no passado tivessem investidos em infraestruturas, hoje Cabo Verde teria uma rede de infraestruturas públicas “bastante boa”, mas infelizmente isso não aconteceu.

“Estamos a fazer investimentos que deveriam ter sido feitos há 30 anos”, sublinhou.