A declaração foi feita por Abraão Vicente, esta manhã, na cidade da Praia, depois de ser questionado pelos jornalistas, sobre a retirada dos quadros do artista Tchalé Figueira, que estavam expostos na casa parlamentar na exposição colectiva com telas pintadas por artistas de duas gerações para comemorar o dia 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia.

O governante que disse que não é normal a retirada de quadros durante a exposição, adiantou que o seu ministério e o artista não foram informados sobre essa medida.

Por outro lado, negou que se trata de um caso de censura, mas sublinhou que é necessário que se esclareça todo o processo para que não se desvie e não se tente induzir por uma verdade que não existe.

“Nós não temos explicações a dar, mas acho muito interessante o debate sobre a retirada ou não dos quadros, sobre a educação artística, educação sexual, tabus, sobre os preconceitos e um conjunto de temáticas, e creio que não se pode pedir a um artista da dimensão de Tchalé Figueira que adapte os seus temas às instituições onde expõe”, sublinhou o governante.

Por outro lado, avançou que as instituições têm de estar preparadas para o impacto que certas temáticas podem ter no público, e que quando se expõem obras de artes que podem ferir susceptibilidades de alguma camada é obrigação das instituições colocar um aviso.

O ministro apelou ao bom senso, uma vez que existem várias temáticas a serem debatidas, como a preparação das instituições para receberam exposições artísticas, tendo realçado que é fundamental que todos percebam que os artistas têm o papel de provocar, quebrar paradigmas e tabus.

Por outro lado, Abraão Vicente mostrou-se consternado com a tentativa de politizar um caso que não tem nada de política, mas que, em nome da verdade e da coerência, as instituições têm de assumir todas as consequências pelos actos dos seus funcionários e da mesma.

Na ocasião lembrou que das 400 exposições feitas pelo ministério em dois ano e meio de mandato, nunca chegou a interferir na curadoria.

Para finalizar avançou que o ministério convidou o artista Tchalé Figueira para expor toda a colecção no Palácio da Cultura.

A exposição que foi inaugurada na sexta-feira, 11, é organizada pela Assembleia Nacional, em parceria com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através da Direcção-geral das Artes e das Indústrias Criativas e pelos diferentes municípios da ilha de Santiago.

Da geração dos mais consagrados estão patentes telas de Omar Camilo, Tchalé Figueira, Domingos Luísa, Nela Barbosa e Heleno Barbosa entre outros, enquanto os mais novos estão representados por Hélder Cardoso, Joaquim Semedo, José Delgado, Dílcia Cardoso e Nuno Prazeres.

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