Abraão Vicente, que fala ontem durante na conversa aberta à volta do Arquivo Nacional, adiantou que, para além de almejar o resgate de toda a documentação que constitui a história de Cabo Verde, e que se encontra na Torre de Tombo, arquivo de Portugal, o Governo quer resgatar os arquivos de Amílcar Cabral depositados na Fundação Mário Soares, na Guiné-bissau.

“Sabendo que esses arquivos não nos pertencem, pertencem à Guiné-Bissau, mas numa fase transitória, antes de pensarmos sequer na possibilidade desses arquivos serem acolhidos pela Torre do Tombo em Portugal, eu creio que Cabo Verde deve se posicionar, de uma forma clara e inequívoca, para a recepção desses documentos”, defendeu.

Segundo Abraão Vicente, o maior desafio do país em pretender vir a receber esses arquivos tem a ver não só com as condições da sua recepção, mas também com a criação de consensos para a busca do financiamento contínuo da sua manutenção, publicação, investigação e a disponibilização pública.

Cabo Verde, indicou, deve criar todas as condições de recursos humanos e financeiros, para que a chegada desses documentos constitua “um momento de história e de memória a nível nacional”.

“Um Estado como Cabo Verde não se pode furtar a essa responsabilidade histórica de receber, tratar e divulgar algo tão importante para o nosso património comum, como são os arquivos, as memórias e os momentos ligados a uma figura incontornável da nossa história, como é Amílcar Cabral”, sublinhou.