Eduino Gonçalves explicou que desde 2015 os grupos têm reivindicado uma melhor organização do Carnaval de São Nicolau, “como um produto turístico”, mas que, ajuntou, “infelizmente não têm conseguido mais verbas” por parte das autoridades para melhorar esta cultura.

Copacabana, Estrela Azul e Brilho da Zona, são, assim, os três grupos oficiais que anualmente saem às ruas de São Nicolau para abrilhantar o Carnaval em Ribeira Brava, mas este ano por falta de condições, a direcção do Brilho da Zona resolveu retirar-se.

Eduino Gonçalves explicou ainda que o ministro da Cultura, Abraão Vicente, em 2017, fez uma promessa de que iam aumentar a verba para 1500 contos, mas na prática os grupos continuaram a receber 600 e 800 contos.

Depois do anúncio de um possível aumento de verbas, o responsável disse que os trabalhadores, que antes trabalhavam voluntariamente nos estaleiros, começaram a exigir um salário e como não houve este aumento houve diminuição de mão-de-obra.

“No ano transacto tivemos uma série de problemas porque praticamente 50 por cento das pessoas não apareceram no estaleiro para trabalhar como voluntario. Este ano, essas pessoas que fizeram este enorme sacrifício para colocar o carnaval na rua, sentiram-se desmotivados, e isto é um dos grandes motivos que Brilho da Zona não vai sair”, explicou.

Para Eduíno Gonçalves, mesmo os 1500 contos prometidos não seriam suficientes para realizar um Carnaval de alto nível, como os que os grupos têm habituado os foliões de todo o canto do mundo, que por esta altura deslocam-se a São Nicolau para assistir a festa do Rei Momo.

Em 2018, o grupo recebeu “apenas 650 contos do Governo e 450 da Câmara Municipal da Ribeira Brava”, e “não contou” com o apoio das instituições no município.

Para este ano, disse, poderão contar com o apoio das mesmas entidades e de uma das operadoras de telecomunicações, mas mesmo assim o montante que poderão arrecadar não será suficiente para “abrir o estaleiro,  remunerar o pessoal e colocar o produto na rua”.

O grupo,  informou, tem ainda dívidas dos anos anteriores, por isso este ano não querem ficar na mesma situação e a viver de incertezas de apoio.

Em 2014, continuou, os três grupos oficiais realizaram um estudo sobre o impacto do Carnaval em São Nicolau e uma das conclusões, a nível económico, é que esta época é considerada o auge no comércio local, tendo exemplificado que “foi movimentado um montante superior ao orçamento da câmara municipal”.

“Carnaval não é só uma brincadeira ou uma festa, ela é uma coisa muito importante para uma comunidade como a nossa, que tem uma série de dificuldades de movimentação económica. Temos consciência de que fazendo um bom carnaval estaremos ajudando no desenvolvimento desta ilha”, assegurou.

O presidente do grupo Brilho da Zona defendeu que é chegada a hora de todos, a câmara municipal, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e os grupos, unirem-se para uma melhor organização do Carnaval na ilha.

“Temos de estudar em conjunto para entender qual é o impacto que o Carnaval tem nas nossas ilhas e escolher a melhor forma de rentabilizar os recursos que serão disponibilizados”, propôs.

Eduíno Gonçalves,  sugeriu ainda que seja criada uma liga, pois só assim terão garantias de que é possível fazer um Carnaval com um “melhor planeamento” e que terá impacto no turismo e na economia da ilha.

A mesma fonte pediu ainda que seja resolvida a questão dos voos para São Nicolau, uma vez que por esta altura a ilha é escolhida por muitas pessoas que preferem assistir ao Carnaval no “sambódromo” de Ribeira Brava.

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