A noite de hoje, com efeito, mantém a fama das mais concorridas do Carnaval de São Vicente, mesmo que, desde sexta-feira, 01, as ruas e artérias da baixa da cidade do Mindelo tenham sido palco de múltiplos desfiles, de crianças, de professores, de mandingas e de grupos de bairro organizados, cada um com o seu brilho característico.

Mas pela história, percurso e trabalho comprovado, Samba Tropical “é outra coisa”, diz-se na ilha, e os seus responsáveis, a começar pelo presidente da direção, David Leite, prometem, mais uma vez, um desfile carnavalesco suportado por uma “alegoria, majestade e sumptuosidade jamais vistas” em São Vicente, e um carro alegórico que “entrará para os anais” do Carnaval mindelense.

Um das mais afamadas de Cabo Verde, a Escola de Samba Tropical tem a particularidade de desfilar sempre à noite, juntando residentes e emigrantes que se deslocam em grande número à terra-mãe propositadamente para brincar o Carnaval.

Já se sabe há muito que o desfile vai centrar-se à volta do tema “Blimund é nôs força, um povo k ta snha e dá cor a realidade” (“Blimundo é nossa força, um povo que sonha e dá cor à realidade”, em português), projeto que introduz a “essência da cabo-verdianidade”.

Ou seja, as 18 alas, divididas em dois blocos para um total de mil foliões, mais a música “Pulá Largód” e o carro alegórico, vão contar, no seu conjunto, a história de Blimundo, centro de uma lenda, da ilha de Santo Antão, que gira à volta de um boi gigante, inteligente e amante da liberdade.

Mas, para hoje há mais, sendo certo que o período da tarde, a partir das 15.00, está reservado aos desfiles do Trio Convivência, da Ribeirinha, Lares de Idosos e das escolas secundárias “José Augusto Pinto”, Escola Técnica e “Jorge Barbosa”.

Depois de quatro dias de desfiles, sobretudo de grupos de animação, de crianças, professores e mandingas, chega terça-feira do Carnaval, 05, o dia mais aguardado, com quatro grupos para um desfile que concentra as atenções da ilha, de Cabo Verde e da diáspora, a julgar pelo número de pessoas que, por esses dias, desembarca de barco e de avião na ilha de São Vicente.

Por sorteio, ficou definido que o grupo de Monte Sossego, vice-campeão do Carnaval, em título, abre o desfile, às 15:00, e que cabe aos Cruzeiros do Norte encerrar o cortejo, às 16:30, com os grupos a entrarem na Rua de Lisboa, onde se situa o palanque oficial, a cada meio hora, numa única passagem.

Às 15:30 será a vez do grupo Flores do Mindelo, seguido do Estrelas do Mar, às 16:00.

Relativamente aos temas dos enredos dos quatro grupos oficiais, Monte Sossego sabe-se que vai chegar à Rua de Lisboa com o enredo “O meu Carnaval é uma novela”, três carros alegóricos, um tripé e 1200 foliões, distribuídos por 12 alas.

Flores do Mindelo, por seu lado, vão celebrar os 140 anos da cidade do Mindelo através do enredo “Um monte com cara de gente e um monte de gente de cara”, 800 foliões, 12 alas e três carros alegóricos.

O terceiro grupo a desfilar, Estrela do Mar, que regressa ao concurso sete anos depois, traz uma mensagem à volta da paz e do ambiente sustentável e deve apresentar-se com três carros alegóricos e 600 foliões, distribuídos por dez alas.

Cabe aos Cruzeiros do Norte baixar o pano do desfile oficial de 2019 com o tema “CPLP sem fronteiras ou Lusofonia sem barreiras”, 800 foliões, 12 alas e três carros alegóricos.

Para garantir a segurança, a Polícia Nacional, por seu lado, tem em curso o seu habitual Plano de Segurança para o Carnaval 2019, o qual envolve todo o efetivo do comando regional, mais reforço e a colaboração das Forças Armadas e da Polícia Judiciária, para materializar a operação.

No ano passado, o grupo Vindos do Oriente sagrou-se campeão do Carnaval, com 165,5 pontos, mais quatro décimas do que o grupo Monte Sossego, que se classificou em segundo lugar, com 165,1 pontos.