Rompiam as 21:00, quando o Samba Tropical fez-se explodir na Rua de Lisboa, com um verdadeiro estrondo de fazer bater os corações, e começou a contar a história do Blimund, o boi rebelde amante da liberdade e que vivia pelas montanhas da ilha de Santo Antão, como diz a lenda.

Todo um enredo construído a partir do tradicional trapiche, girado pelos “blimunds”, que nada mais queriam que estar ao ar livre e sem preocupações.

Esta história que foi retratada no desfile de cerca de duas horas, em que não faltaram brilho, criatividade e majestosidade, que já se assentam como uma segunda pele ao grupo.

Assim, através das 18 alas se pode ver os traços da escravidão, a nobreza, cujo rei mandou buscar Blimund para casar com a vaquinha de praia.

Por outro lado, a força do chicote, que nunca fizera este boi destemido se curvar, nem mesmo com a força bruta, e que como um amante, que só a natureza permite, tanto fez que até casou com a filha do próprio rei.

Esta história tradicional da ilha das montanhas, que foi contada com uma mistura de realismo e fantasia, que desembocaram num “casamento perfeito”, com certeza vai ficar nos anais do tempo, do grupo e da própria ilha de São Vicente.

Assim, um desfile bem intenso e vibrante de “pulá largód” nas ruas de Morada, a que deram corpo os cerca de mil foliões, mas também o carro alegórico, que se assemelhava à uma pintura em tela, mas que queria saltar para fora e vir sentir o vento na cara, o cheiro das flores e ver as borboletas luminosas, tal como Blimund sempre perseguiu e defendeu com todas as forças.

O único senão de todo esse esplendor que o Samba Tropical presenteou aos mindelenses e os seus visitantes foi o modo como lidaram com a imprensa, que foi muitas vezes cerceada no seu direito à liberdade de informação, a que foram colocados muitos limites, até para se tirar uma simples foto.

Mas, hoje é terça-feira do Carnaval, o dia mais aguardado, com quatro grupos para um desfile que concentra as atenções da ilha, de Cabo Verde e da diáspora, a julgar pelo número de pessoas que, por esses dias, desembarca de barco e de avião na ilha de São Vicente.

Por sorteio, ficou definido que o grupo de Monte Sossego, vice-campeão do Carnaval, em título, abre o desfile, às 15:00, e que cabe aos Cruzeiros do Norte encerrar o cortejo, às 16:30, com os grupos a entrarem na Rua de Lisboa, onde se situa o palanque oficial, a cada meia hora, numa única passagem.

Às 15:30, será a vez do grupo Flores do Mindelo, seguido do Estrela do Mar, às 16:00.

Relativamente aos temas dos enredos dos quatro grupos oficiais, Monte Sossego sabe-se que vai chegar à Rua de Lisboa com o enredo “O meu Carnaval é uma novela”, três carros alegóricos, um tripé e 1.200 foliões, distribuídos por 12 alas.

Flores do Mindelo, por seu lado, vão celebrar os 140 anos da cidade do Mindelo através do enredo “Um monte com cara de gente e um monte de gente de cara”, 800 foliões, 12 alas e três carros alegóricos.

O terceiro grupo a desfilar, Estrela do Mar, que regressa ao concurso sete anos depois, traz uma mensagem à volta da paz e do ambiente sustentável e deve apresentar-se com três carros alegóricos e 600 foliões, distribuídos por dez alas.

Cabe aos Cruzeiros do Norte baixar o pano do desfile oficial de 2019, com o tema “CPLP sem fronteiras ou Lusofonia sem barreiras”, 800 foliões, 12 alas e três carros alegóricos.