A Cidade da Praia conta atualmente com seis grupos oficiais da primeira divisão designadamente, Samba Jo (Palmarejo), Estrela da Marinha (Terra Branca), Vindos do Mar (Achada Grande), Inter Vila (Vila Nova) e Bloco Afro Abel Djassi (Achada Santo António) e mais dois do segundo escalão, nomeadamente, Maravilhas do Infinito (Fazenda) e Jovens de Vila Nova (Vila Nova).

Recentemente numa entrevista à Inforpress, o vereador de Cultura da Câmara Municipal da Praia, António Lopes da Silva, manifestou a ideia de trabalhar, nos próximos anos, no sentido de reduzir o número de grupos oficiais na capital. Segundo o responsável, quatro grupos “é suficiente para melhorar a performance, a qualidade e a criatividade”.

A Inforpress ouviu os seis grupos oficiais da Cidade da Praia sobre essa possibilidade, e a maioria dos grupos são a favor da redução, mas ainda há aqueles que querem continuar como estão.

António Dias, presidente do Estrela da Marinha, disse à Inforpress que é a favor de existir apenas quatro grupos, pois, com isso os grupos é que saem a ganhar, em “apoio e qualidade”.

Segundo disse, a sua equipa foi criada em 2011, mas somente um ano depois é que desfilaram por terem verificado que alguns grupos estavam a desistir e que o Carnaval estava a “perder qualidade”.

Entretanto, depois de 2012, indicou, começaram a surgir mais grupos o que veio “diminuir em muitos aspetos” o Carnaval na Cidade da Praia, desde o número de figurantes ao apoio monetário.

António Dias disse estar aberto a uma possível coligação com qualquer outro grupo, pois, o Estrela da Marinha não é apenas um grupo da localidade de Terra Branca, mas sim é um representante de toda a cidade da Praia.

Por sua vez, o presidente do grupo Samba Jo, João Teixeira, é da opinião de que a diminuição do número de grupos é uma “boa ideia”, pois, ainda não existe uma “cultura forte” de patrocínio ao Carnaval, na Praia.

Na sua opinião, “quanto mais grupos existirem menores são os apoios”, mas caso haja essa diminuição, acredita que os grupos terão melhores condições de trabalho e ainda haverá mais subsídio.

O presidente do grupo Vindos d’África, José Gomes, disse que ao longo dos anos o seu grupo foi o único que superou todas as dificuldades e que criou os próprios meios de brincar o Carnaval, mesmo sem apoios.

Ao seu ver, se os grupos estão a crescer apenas para pedir apoio e não para desfilar na Avenida “não vale a pena”.

“Sou da opinião de que os grupos devem afirmar-se como grupos ou escolas de Carnaval que depois de o desfile do dia 13 continuam a preparar o próximo Carnaval, e não serem grupos apenas para pedir dinheiro. Sou de acordo que haja menos grupos, mas para apostarmos na qualidade”, defendeu.

O responsável pelo grupo Inter Vila, José Fernandes, por seu lado, disse à Inforpress que não se justifica que uma zona como Vila Nova tenha dois grupos, porque isso só prejudica o próprio Carnaval no bairro, em relação à diminuição de número de figurantes.

José Fernandes também defende que deve existir apenas quatro ou cinco grupos e que não deveria haver grupos de segundo escalão.

O responsável pelo Bloco Afro Abel Djassi, Gamal Monteiro, disse à Inforpress que se a redução de número de grupo significa aumento de apoio e mais qualidade é uma “boa iniciativa”.

Entretanto, assegurou que o seu bloco não está aberto a unir-se com outros grupos, por ser uma equipa diferente dos outros e por ter uma política pouco semelhante.

O responsável do grupo, Vindos do Mar, Maria Cardoso, recorreu ao regulamento do Carnaval para defender que a câmara estipulou que deva existir pelo menos seis grupos oficiais, por isso devem manter essa posição.

“Não está certo estipular quatro grupos. Não estou de acordo com essa possibilidade e não estamos abertos em fazer uma união com outros grupos”, defendeu.