"O primeiro ano que me lembro de sair no desfile, tinha cinco anos, o meu pai fez-me uma roupa de romano", relembrou.

 

O seu primeiro título foi como Rei do grupo Sonho sem Limite em 2003, outro fato feito pelo pai que relembra como se tivesse sido apenas há poucos dias. "O fato foi feito só com materiais naturais, na altura eu nunca tinha visto nada assim, por exemplo ele substituiu as penas por flores de cana, foi um trabalho que custou a fazer, mas ficou bonito", contou.

Na altura tinha 19 anos, e até hoje guarda o prémio "é a peça mais bonita da minha sala". É de Fonte Filipe, mas já desfilou em diversos grupos: Flores do Mindelo com o qual conseguiu o prémio de melhor mestre de sala em 2011; nos Sonhos em Limite, no Estrela do Mar, na Folha Azul, no Monte Sossego, nas Baianas do Monte Sossego, Samba Tropical e Fonte Filipe em acção.

Em 2004, mudou-se para o Luxemburgo, mas relembra-se sempre da terra-natal quando chega a época de se voltar a mascarar.

"Já tive um ano em que cheguei tarde para o Carnaval, o meu fato não ficou bem feito e nem tinha parte de cima, mas eu venho de longe por isso para mim é só colocarem-me óleo e purpurina que eu estou pronto para desfilar na rua de Lisboa", afirmou.

 

Em 2010, descobriu o seu par ideal para o Carnaval e desde então sempre que planeia voltar para a época é com ela que tem de desfilar: "Eu e a Lara Marques temos uma harmonia no sambódromo que é difícil de explicar."

No entanto, não é todos os anos que sai para ganhar a competição. Participar na folia é a melhor sensação que afirma poder ter no Carnaval. "Tive um fato uma vez que só a costura custou 25 contos, por isso o dinheiro do prémio não justifica a participação, eu queria era o título, porque se fosse pelo dinheiro eu ficava era no prejuízo", disse.

A partir de 2010 que vem todos os anos a Cabo Verde todas as épocas de Carnaval para participar em todos os desfiles na rua de Lisboa de sexta a terça-feira. "Eu saio sexta-feira no Mindel Fantasy e nesse dia vou para a festa, sábado com um grupo de crianças "Esplendor de Fonte Filipe", domingo como mandinga, segunda-feira é dia de tirar a barba e fazer a maquilhagem com a minha parceira Lara para desfilar com o Samba Tropical e terça-feira com um grupo oficial”, enumera.

E é a companheira de Carnaval que trata de tudo antes de Daniel Colito Vitória chegar todos os anos. A roupa, a lista de grupo onde dançar e todos os pormenores que for necessário e possível tratar.

Este ano, o grupo escolhido é os Vindos do Oriente: "Sempre tive vontade de sair com eles." Não vai entrar na competição, mas vai ser uma das figuras de destaque a representar o cacau.

"Não é possível explicar a forma como eu me sinto quando desfilo, se eu for pensar em quanto já gastei no Carnaval já tinha um bom investimento numa casa", conta.
O investimento que faz todos os anos é elevado já que compreende o seu voo de Luxemburgo para Cabo Verde e todas as despesas de tecidos e materiais, além da costura do fato para cada um dos desfiles. A estimativa que faz desta estadia anual é sempre acima de 200 contos.

"Eu sei que quando falo do Carnaval, os meus olhos brilham, o Carnaval é o meu grande vício”, concluiu.

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