O titular das pastas da Cultura e das Industrias Criativas, com efeito, concluiu ao início da tarde de hoje, em São Vicente, um ciclo de visitas aos estaleiros dos grupos carnavalescos e foi mais longe ao admitir que o júri vai ter “trabalho muito complicado” em decidir qual grupo ganha o Carnaval 2018.

Sobre as preocupações manifestadas pelos responsáveis dos grupos ao longo das visitas aos quatro estaleiros, Abraão Vicente disse à Inforpress que vem sempre ao de cima a questão do financiamento.

“Muita gente tentou meter alguma polémica em relação aos subsídios, mas acho que os grupos fazem o seu trabalho e, nas condições em que eles trabalham, é sempre necessário mais dinheiro, o financiamento é sempre insuficiente”, lançou o governante que admite, ao mesmo tempo, que os responsáveis dos grupos reconhecem “o esforço feito” pelas autoridades.

O ministro lembrou que desde o primeiro edital, do ano passado para este ano, houve um “grande salto no Carnaval”, com existência de ligas, bancadas para o espectadores e uma organização “mais visível”.

“A câmara municipal tem todo o protagonismo, o Ministério da Cultura é apenas um dos parceiros, não o principal, e não queremos protagonismo nenhum”, lançou Abraão Vicente, que disse ter constatado ainda uma “evolução enorme” em todos os grupos de São Vicente, com desenho, andores, concepção e execução “de qualidade”.

Em relação à colocação de bancadas para o público assistir ao desfile, Abraão Vicente lembrou que o seu ministério sempre defendeu que o Carnaval tem um “enorme potencial” económico, pelo que “era importante” introduzir as bancadas, “um sinal de evolução” do evento.

“É preciso saber encontrar um equilíbrio para que as pessoas que não tenham os tais 300 escudos para comprar o bilhete, também tenham acesso ao Carnaval”, advertiu o ministro, que aproveitou para parabenizar a Liga dos Grupos de Carnaval de São Vicente, que entrou em contacto com o privado para esse propósito.

“Não se deve criticar por criticar, é ver como é que vai funcionar e com certeza o privado e a própria liga encontrarão um ponto de equilíbrio para que no próximo ano se façam os ajustes, se for necessário”, concretizou a mesma fonte, para quem é “muito bom” para o Carnaval do Mindelo que se comece a encontrar alternativas para a sua sustentabilidade.

Os quatro grupos oficiais, que desfilam na terça-feira, 13, já entraram na fase final da confecção dos carros alegóricos e incrementam, por esta altura, os ensaios.

De acordo com o sorteio de entrada na Rua de Lisboa, no dia de Carnaval, Monte Sossego será o primeiro a desfilar, às 15:30, seguido de Cruzeiros do Norte, Vindos do Oriente e Flores do Mindelo.

A Escola de Samba Tropical, como é hábito, apresenta-se ao público na noite de segunda-feira, véspera do dia de Carnaval.