Em declarações ontem na Cidade da Praia após um encontro entre o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, e o cantor brasileiro e a sua equipa, o governante explicou que o “projeto concreto” vai ser apresentado em setembro, e que para além do seu ministério apadrinhar, vai estar envolvido para a sua concretização.

“Queremos com a experiência do Brasil, do Dudu e da sua agremiação colocar um grau de excelência tanto no carnaval do Mindelo como da Praia”, assegurou, avançando que Dudu Nobre e sua equipa pretendem levar o mesmo workshop às outras ilhas nomeadamente Sal e São Nicolau, ou seja, o objetivo é “primar pela excelência”.

De acordo com Abraão Vicente, na reunião foi vincado o “reforço” daquilo que sempre foi o discurso do Ministério da Cultura que é “transformar as indústrias criativas, o carnaval e as atividades culturais em atividades profissionais que criem emprego, rendimento e que possam tirar da marginalidade, da pobreza grupos sociais bem específicados”.

Informou ainda, a mesma fonte, que “ficou bem claro” na reunião que só com planeamento e com antecipação do planeamento e com a colaboração da transferência do saber do Brasil para Cabo Verde vão atingir essa “excelência”.

Para o próximo ano, o ministro Abraão Vicente assegurou que o foco do seu ministério é que o carnaval seja um produto de excelência e promover Cabo Verde lá fora.

Por seu turno, Dudu Nobre que destacou a “espontaneidade” do carnaval cabo-verdiano e a rivalidade “muito grande” entre os grupos, afiançou que a intenção do projeto é auxiliar as agremiações para que elas se unam cada vez mais e possam através dessa união ter uma organização melhor.

No dizer deste sambista, que ministrou um workshop no Mindelo e na Cidade da Praia, o carnaval cabo-verdiano carece ainda de uma organização e união das agremiações para que a mesma flua e o carnaval cresça cada vez mais.

“Fiquei maravilhado em algumas coisas, em que achei mais evoluído que no Brasil e em outras coisas tivemos uma evolução maior, porque tivemos a organização”, sublinhou, indicando que o carnaval que é um produto cultural de Cabo Verde, tem que ser reconhecido e conhecido pelo mundo, e “vai trazer com certeza muitos turistas” para Cabo Verde.

Dudu Nobre instou os grupos carnavalescos a apostarem na função social, isto porque, explicou, a função dos grupos carnavalescas vai além da “agremiação carnavalesca”.

A função social vai fazer com que as pessoas tenham aquilo como “ponte de apoio”, para que os jovens tenham sucesso não só na área cultural, mas também, nas áreas das artes plásticas, ou seja, ter a possibilidade de ter uma profissão, defendeu o sambista brasileiro.