O enredo deste ano foi revelado à Inforpress pelo presidente e fundador do grupo, Gerson Fortes, que avançou que a colectividade vai trazer treze alas, retratando a descoberta da Índia, desde a travessia marítima até às suas raízes culturais, especiarias e música.

“Todos os anos, queremos viajar através do Carnaval, levando o público da Boa Vista a viajar connosco. Considerando que a cada ano viajamos para um lugar diferente, através do Carnaval, que é um teatro de rua, este ano queríamos levar o público da Boa Vista a viajar pela Índia”, disse o presidente, acrescentando que “cada elemento e cada detalhe desta viagem à Índia vai ter um significado”.

A viagem à Índia, explicou, será ainda dividida em duas secções, distribuídas por 13 alas, sendo que a primeira secção traz o caminho que os portugueses percorreram até à descoberta e já a segunda mostra a cultura da Índia.

Adiantou que já estão inscritas mais de cem pessoas e que há alas que estão esgotadas pelo limite de pessoas. Segundo o responsável, os trabalhos já estão adiantados, lembrando que iniciaram as preparações desde o mês de Novembro.

A letra, que vai acompanhar o som desta viagem à Índia, é do conhecido letrista Constantino Cardoso, que fez o arranjo musical do grupo.

Para o líder do grupo, uma das limitações em colocar o Carnaval na rua na Boa Vista tem a ver com a dificuldade em adquirir os materiais necessários.

A solução, segundo Gerson Fortes, é recorrer a outras ilhas para fazer compras, o que faz com que as roupas fiquem mais caras.

E para ultrapassar esta dificuldade, explicou que procuram praticar um preço acessível das roupas, para que as pessoas possam trajar, sem, entretanto, descorar a qualidade, apesar de estar consciente de “um pouco de exagero” que faz parte da fantasia dos trajes carnavalescos.

“Por isso, quando desenho a roupa, tenho que ter em conta que os materiais são limitados, mas sem pôr em causa a sua qualidade, apesar de existir sempre algum exagero”, contou o presidente.

Quanto aos andores também já estão confeccionados, mas por ora prefere guardar os detalhes e só os apresentar como surpresa dos enredos.

“Este ano, queremos fazer um Carnaval diferente, e o nosso lema é levar a festa do Rei Momo de forma séria. Brincamos, mas ao mesmo tempo mostramos que não é somente para brincar”, frisou, sublinhando a importância de se envolver na festa do Entrudo.

Gerson Fortes, que desde há muito se envolve no Carnaval de São Vicente, e trabalhou para um grupo na ilha do Sal – os Gaviões, em 2015, disse que este ano recebeu um convite da ilha das salinas, mas prefere dar o seu contributo na ilha da Boa Vista.

Mas, para ele o mais importante “é colaborar com o grupo e fazer acontecer a festa do Carnaval, mesmo enfrentando dificuldades com a logística”.

O presidente de Maravilhas de Boa Vista garante que a força de vontade e o amor que tem por Carnaval levam-no a trabalhar mesmo ao “frio e ao calor das incertezas”, ciente de que se não houver amor por Carnaval não se consegue concluir e atingir os objectivos.

“São noites sem dormir, é alimentar mal, porque a angústia, a ansiedade não te deixam fazê-los. Mas o que é mais importante é ultrapassar os obstáculos”, afirmou Gerson Fortes.

O presidente de Maravilhas de Boa Vista pede por isso apoio a todos, ajudas que não sejam somente monetárias, mas sobretudo o apoio moral.

O grupo Maravilhas de Boa Vista desfilou em 2013 pela primeira vez, com o enredo Maravilhas de África.

Durante os dois primeiros anos, saíra nas noites de segunda-feira, sem competição, somente para animar, como faz o grupo Samba Tropical, em São Vicente.

Aliás, este grupo mindelense foi uma das inspirações para criar o grupo Maravilhas de Boa Vista.
No ano seguinte, homenagearam “Música na Coração Boa Vista, o berço da morna”.

Em 2015 e 2016 fizeram um intervalo, mas devido a uma “grande adesão” das pessoas, que não estavam à espera, dois anos depois, em 2017, decidiram desfilar pela primeira vez oficialmente para competição, na terça-feira de Carnaval, saindo às ruas com o enredo “lendas e mitos de Amazónia, um paraíso tropical”.

“Ni Hao “Bubista”, o império Chinês, foi o enredo de 2018, ano em que levaram para casa o segundo lugar.

“Mas conseguimos o prémio de Rei e rainha e música”, disse, recordando que em 2019 desfilaram com o tema “África, o ventre do mundo”, exibindo “as mitologias africanas, as tribos”, ficando nesse ano em primeiro lugar e com todos os outros prémios na bagagem.

No ano passado, ficaram no terceiro lugar e este ano Gerson Fortes frisou que querem defender o título do grupo que nasceu em 2012, num jantar de mulheres.

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