Segundo o responsável do Vindos D’África, José Gomes (Breu), é ao terminar o desfile de um ano que o grupo se prepara logo para o desfile do ano seguinte. Este ano o Vindos D’África vai sair com o enrendo “Mãe África”, que pretende ser uma homenagem ao continente africano bem como mostrar as mais-valias do “berço da humanidade”.

Apesar de não precisar o número exato de figurantes, José Gomes adianta que o número poderá chegar aos 400 foliões, sendo que há quase um mês que o grupo está a ensaiar no Polivalente do Bairro (Craveiro Lopes).

“Todos os anos temos aumentado o número de figurantes”, adianta o responsável mas acrescenta que as questões financeiras são muitas vezes impeditivas para foliões que querem sair no grupo mas que não têm condições para tal.

“Queríamos sair com dois andores, mas só podemos sair com um (a Enapor só consegue disponibilizar 5 atrelados para os 6 grupos oficiais)”, explica. Contudo José Gomes avança que o grupo “vai dar a volta” e pensa sair na mesma com uma alegoria extra.

A nível das verbas disponbilizadas pela Câmara da Praia, CMP, a mesma fonte adianta que o grupo já recebeu duas tranches, sendo que está a ser estudada a hipótese de se adiantar mais uma verba.

No que diz respeito a figuras de destaque, José Gomes avança que o grupo quer envolver pessoas de todas as classes sociais no Carnaval e incluir figuras conhecidas do público para atrair mais foliões.

Uma novidade deste ano é a “ala dos Bairrianos e Bairrianas” (uma junção entre os nomes das tradicionais baianas do Carnaval e do Bairro), formada por pessoas mais maduras e que também pretende atrair o público mais adulto para brincar o Carnaval.

Críticas ao ministério da Cultura

O responsável mostra-se satisfeito com as obras efetuadas na Avenida Cidade Lisboa mas já o mesmo não se verifica em relação ao procedimento do ministério da Cultura e Indústrias Criativas, no que diz respeito à edição do Carnaval deste ano na cidade da Praia.

Para José Gomes, “em relação ao ministério a situação piorou”. Para este responsável, que é também presidente da Liga do Carnaval da Praia, o atual ministro menosprezou o carnaval da Praia e salienta que houve uma mudança de atitude face a altura em que o governante foi júri do Carnaval da capital.

Confrontando com o facto de que o MCIC este ano vai patrocinar os prémios do Carnaval praiense, José Gomes explica, também na qualidade de presidente da Liga, que a verba de 800 contos é insuficiente para os prémios para todos os grupos oficiais ( 6 no total) ao que acrescem ainda os prémios para figuras de destaque como Rei, Rainha, entre outros.

“Os prémios (monetários) já estavam no orçamento da Câmara, penso que o ministério deveria disponibilizar a verba para os grupos e não para os prémios”.

José Gomes defende igualmente maior compromisso por parte dos grupos que brincam o Carnaval na capital. “Há grupos que não existem fora do Carnaval (…) há grupos sem instrumentos, sem andor, (…)”. O responsável defende ainda que um menor número de grupos oficiais poderia elevar a qualidade do desfile.

Enquanto representante do Vindos d’África, “Breu” adianta que o grupo tem uma escola de percurssão e a sua própria bateria. “O Vindos d’África sobreviveu a todas as crises e já brinca o carnaval há 30 anos”.